<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207</id><updated>2011-08-05T23:04:33.061-03:00</updated><title type='text'>Aumente o conto...</title><subtitle type='html'>SOBRE NÓS: Somos onze estudantes de comunicação que têm em comum o gosto pela literatura e a necessidade inquietante de extravasar a nossa energia criativa. O blog é, acima de tudo, um exercício livre de amarras, experimental, sem a pretensão dos grandes autores. O nosso objetivo principal é que nossos leitores se divirtam e comentem!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Renata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11650079053385943271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://i89.photobucket.com/albums/k235/recunha19/P2140331b.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-110642758134377167</id><published>2005-01-22T18:54:00.000-02:00</published><updated>2005-01-22T19:07:03.996-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 11</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Oi pessoal! Primeiro de tudo, desculpem o mega atraso. Mas eu fui o que mais se ferrou quanto à época de postar. Peguei um final de período com um trabalho do Afonso de 13 páginas pra escrever e mais de 200 pra ler. Além disso, depois que acabei tive que ficar em Niterói, e todos sabem que lá não tenho computador. Mas bem, aqui está. Fiz ele curto porque agora é hora de ir fechando tudo. Quis deixar as coisas prontinhas pro Alvaro finalizar. Deixei o gatilho pronto pra ser pressionado. Realmente espero que vocês gostem. Ah, e desculpem a falta de parágrafos. Achei que ficaria melhor assim. Abraços.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardo Tonasse&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;

&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 11&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pi. Pi. Pi. Pi. Pi, fazia a máquina que monitorava Bia. Ela se sentia flutuando na cama. Seus 5 sentidos não enviavam para o cerébro mais do que algumas mensagenzinhas ininteligíveis, mas o instinto de sobrevivência não parece vinculado a esse tipo de coisa, pois logo a menina fazia um esforço desesperado para mover-se. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. De algum modo ela sabia que aquele borrão (a mão prestes a desligar os aparelhos) movendo-se na direção da máquina era muito mal-intencionado. Talvez quando a morte bate à porta ela traga consigo alguns poderes extra-sensoriais. Mas, de qualquer forma, o fato era que Bia estava aterrorizada, e fez de tudo para gritar, agarrar o borrão e chutar o seu dono, mas não conseguiu nada disso. Ainda estava muito mal. Como eu disse, ela se sentia "flutuando" na cama. Irônico como ela conseguia algo tão difícil como flutuar na cama mas não podia nem fazer o mais simples movimento para se salvar. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Mesmo nervoso com o peugeot ameaçador na sua cola - à essa altura, ele tinha certeza de que era Renato, apesar de esse não ser o carro dele - Totti pegou o celular, e tentou ler a mensagem anunciada pelos pis do aparelho, enquanto segurava o volante com a outra mão. Ele estava agora numa das avenidas mais movimentadas da cidade, e o peugeot preto parecia preso a seu carro por um cabo. O carro francês imitava todos os seus movimentos, iplacável, impassível. Mas nenhuma busina, nenhum farol, nenhuma agressividade. O perseguidor tinha a frieza de um predador, farejando a presa na noite. "Está louco", pensou Totti. "Estou louco" - dizia a mensagem - "para ver até onde o seu carro vai aguentar. Meu tanque está cheio, e o seu? ;)". Totti olhou imediatamente o painel do carro - Murphy colocara a agulhinha lá embaixo, na reserva. "Filho da puta!", gritou, e pisou fundo no acelerador. Pi! Pi! Pi! Totti mal percebera a montoeira de apitos na frente do Teatro Encena, por onde passou a 140km/h. Uma linda loura de 1,65 e olhos castanhos apitava com toda a sua força, só parando de vez em quando para pegar mais fôlego para uma nova rodada de apitos estrondosos. E não era só ela que fazia barulho na frente do teatro no meio da madrugada. Dezenas de outras meninas, vestindo camisetas e portando faixas "MM 4ever" participavam do flash mob, protestando contra a "incompetência da polícia e inércia da justiça em punir logo os perpetradores de um crime hediondo. Porque sim, essa história de suicídio é balela. Nós sabemos o que acaba acontecendo com os grandes artistas. Veja o caso do John Lennon, por exemplo!", disse Ana Carolina (a linda loura, pra quem não percebeu) a um repórter mal-humorado. Mal-humorado porque o editor "ligou pra mim no meio da porra da madrugada pra cobrir um monte de menininha com fogo no rabo", pensava Túlio (o repórter, pra quem não percebeu). "Fábio!", gritou Ana. "Hein?", mugiu Túlio (sim, mugiu. Qual o problema? Se você fosse acordado no meio da madrugada pra cobrir um monte de menininha com fogo no rabo você também mugiria. Igual a uma vaca.). Ana apontava, estupefata, para o inconfundível peugeot que acabava de passar voando, colado com outro carro. Pi. Pi. Pi. O relógio de Renato anunciava as 2 horas da manhã. "Seu Maurício?!", Renato ficou estático, tentando entender como que sua vida tinha virado uma novela das 8. Pi. Pi. Pi. Os aparelhos que mantiam Bia viva ainda funcionavam, mas ela sabia que não por muito tempo. Desesperada, ela se sentia explodir por dentro, pois aquela sensação de impotência é a pior sensação do mundo, e te faz explodir por dentro. Mas Bia notou que a mão estava demorando demais para matá-la. O que é isso? Um som? Parece que a mão estava falando algo pra ela. Quer dizer, o dono da mão. Um risada abafada chegou a seu ouvido, seguida de uma torrente de palavras ásperas (também abafadas), das quais ela não entendeu uma letra. Ainda estava muito fraca. "O que você está fazendo aqui?!", perguntou Renato, ainda estático. "Calma Renato. Eu vim aqui para ajudar. Eu sei quem está por trás de todas essas mortes", respondeu o velho, calmamente. "Mas como você sabe de tudo o que está acontecendo? Você sumiu do mapa há anos!", insistiu Renato, ainda estático. "Ora Renato! Pare com isso e me ouça! Voltei quando li a notícia da morte do Marcos Motta. Você não lembra que eu era amigo do pai do Otto? Trabalhamos juntos, esqueceu?". Sim, Renato ainda estava estático. Pi. Pi. Pi. "outra mensagem daquele filho da puta", pensou Totti. Agora eles estavam na estrada. Só eles e a pista. Era por isso que Totti estava esperando. "Vamos ver do que você é feito, seu animal", disse Totti, enquanto olhava o peugeot inescrutável no retrovisor. Com sorriso de malícia nos lábios, ele pisou com tudo no freio, e o peugeot o acertou em cheio. Por alguns segundos Totti nem soube onde estava, pois os dois carros rodavam muito, descontrolados, pelo acostamento tomado pelo capim-navalha. Um capim de dois metros de altura, que logo cobriu os dois veículos quando estes pararam, alguns metros adiante. Totti estava inconsciente; batera a cabeça na porta. Mas seu celular, feliz da vida, continuava aceso, anunciando aquela mensagem. Mas a mensagem não vinha do carro de trás. Aliás, se Totti estivesse acordado para ver quem mandara o torpedo, ficaria extremamente surpreso. E, se lesse o conteúdo da mensagem, cairia pra trás, de tão atordoado. Pi. Pi. Pi. Bia ainda não conseguia mexer um dedo. Imagine não conseguir mexer um dedo mindinho quando alguém vem matá-lo devagarinho. Para piorar, ela logo percebeu que o assassino parara de falar, e a sua mão borrada voltava a se dirigir para os aparelhos que a mantinham viva. Disposta a um último esforço, tentou reunir todas as suas parcas forças para dar um berro. O que saiu foi um leve gemido. "Renato, você não faz idéia de quem está por trás disso. Tenho acompanhado suas investigações, você está totalmente perdido". Lídia devorava as palavras daquele senhor estranho que ela nunca vira na vida, mas que agora podia ser sua única esperança de se livrar disso tudo. "AS cores vermelha e dourada não te dizem nada, Renato? Anda, pense! Você realmente acha que isso não tem nenhuma simbologia? Não acredito que você esqueceu.", Maurício insistia, ansioso. Pi. Pi. Pi. A mão agora passeava pelo aparelho, sem intimidade nenhuma com ele. Procurava a melhor, mais fácil e rápida maneira de acabar logo com aquilo. Enquanto isso, os gemidos de Bia se multiplicavam, e ela já conseguia distinguir alguns contornos de seu algoz. "Anda, Renato! Pense!", dizia Maurício, agora rispidamente. Lídia olhava para um e para o outro, com o coração na boca. De repente, uma lembrançazinha abriu caminho, com muita dificuldade, entre uns neurônios brutamontes no cérebro do publicitário. "Peraí, deixa eu passar! ôu, tira a mão daí, isso é importante! ô gente, sai da frente! É caso de vida ou morte!". Se essa fosse uma história de comédia, essa poderia muito bem ser a fala da lembrançazinha voltando. Mas não é, então deixa pra lá. Voltemos à história: de repente, uma pequena lembrança desabrochou no cérebro de Renato. Ainda estático, ele sentiu todo o seu corpo formigar, como se seu sangue tivesse começado a circular ao contrário. Sim, claro! Só poderia ser isso! Mas, não menos repentina que memórias antigas são os gritos de terror, e, quando Renato iria justamente dizer, como que para si mesmo, triunfante, o nome que era a chave de todo o mistério, um berro inumano, disforme, que não pode ser transmitido num simplório "Ahhhhh!" foi ouvido em todo o hospital. Bia finalmente gritara. &lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-110642758134377167?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/110642758134377167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=110642758134377167' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110642758134377167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110642758134377167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2005/01/captulo-11.html' title='Capítulo 11'/><author><name>Bernardo Tonasse</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://www.geocities.com/babacaman/eu.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-110233455014421014</id><published>2004-12-06T09:59:00.000-02:00</published><updated>2004-12-06T12:46:12.440-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 10</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Olá pessoal,
Antes de qualquer coisa, peço desculpa a todos pelo atraso na publicação da minha parte do conto. Mas é que final de período vocês sabem como é... muitas coisas para fazer em pouco tempo... por isso, acabei me enrolando. Contudo agora o décimo capítulo está pronto, com mais um flashback que talvez sirva para esclarecer algumas coisas importantes para o desfecho dessa misteriosa história.
Palloma Menezes.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 10&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O casamento de Maurício e Paola não andava nada bem. Os dois viviam brigando. Paola cobrava mais atenção do marido que só pensava em trabalho e nunca tinha tempo para ela. Os dois discutiam quase todo dia. E, como já não sentia mais aquela paixão da época de namoro, Maurício pensava seriamente em pedir o divórcio. Faltava-lhe paciência para aturar as crises de ciúme que a mulher vivia dando sem motivos. Por isso, estava decidido, ia contratar um advogado e avisar para mulher que o casamento deles estava acabado. Contudo, Maurício não podia prever que receberia uma importantíssima notícia de Paola logo no dia em que ele iria avisá-la da separação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Amooorrrr, você não sabe que coisa maravilhosa aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Quê? Do que você está falando Paola? Não me venha com mais uma de suas histórias de convite para ir a casamentos ou a festas chatas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não, querido... Dessa vez tenho uma notícia realmente boa para te dar. Tenho certeza que você vai adorar. Sei que vai ficar encantado com a novidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Fala logo vai, não estou com paciência para essas suas conversas fiadas hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Senta! É melhor você estar preparado, amor. Senão, pode acabar caindo para trás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Fala logo Paola!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu estou grávida!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O que?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- É isso mesmo! Nós vamos ter um bebê, um filho, como sempre quisemos amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Maurício levou algum tempo para se acostumar com a novidade. No começo não gostou muito da idéia de ter um filho com uma mulher que não amava mais. Entretanto o bebê já estava feito, não tinha mais jeito. Ele não podia eliminar aquela vida que estava se formando na barriga de sua mulher, ainda que ele não desejasse mais que Paola fosse a sua mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
A gravidez de Paola foi complicada, ela passava muito mal. Por isso Maurício se sentiu obrigado a estar ao lado da esposa. Assim, acabou desistindo do divórcio naquele momento. Mas em sua mente ele tinha claro que só permaneceria casado até o neném nascer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Prematura, Cláudia nasceu com menos de um quilo, correndo risco de vida. Os primeiros meses após o nascimento foram bastante complicados. Nessas circunstâncias, Maurício não podia largar Paola sozinha com sua filha. As duas estavam muitos frágeis. E era ele quem tinha que segurar a barra. Dessa forma, mais uma vez a separação foi adiada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Por um tempo, Maurício ainda pensava em largar Paola. Mas, com o passar dos meses, ele foi se apegando cada vez mais a filha e percebeu que não conseguiria passar nem sequer um dia de sua vida longe daquele anjinho chamado Cláudia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Os anos se passaram. Maurício se tornou um pai super coruja. Dava toda atenção do mundo à filha. Os dois tinham um relacionamento de muito carinho, companheirismo e cumplicidade. Só que isso deixava Paola extremamente enciumada. Ela percebia que seu marido só continuava vivendo no mesmo teto que ela por causa da filha. E, ela também tinha claro em sua mente que a menina sentia muito mais carinho pelo pai do que por ela. Logo, Paola não conseguia conter o ciúme que sentia e sempre acabava descontando seus problemas em Cláudia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Mãe e filha viviam brigando. Na infância, Paola não deixava Cláudia fazer nada. Proibia a filha de participar de apresentações de final de ano, porque achava que o marido se encantaria mais ainda pela filha se visse a menina dançando ou cantando na escola. A mãe também sempre dava um jeito de não fazer festas no aniversário de Cláudia, para que o marido não tivesse a oportunidade de demonstrar a vários convidados o quanto era apaixonado pela filha e como desprezava a esposa. Em resumo, Paola fazia o que podia para atrapalhar a vida da filha, pois acreditava que quanto menos atenção Cláudia chamasse de Mauricio, mais oportunidades poderiam surgir para que ela reconquistasse o amor do marido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Logo que entrou na adolescência, Cláudia começou a se revoltar com as atitudes da mãe. A garota, que sempre recebia o apoio do pai para fazer o que quisesse, tinha bastante liberdade para sair, paquerar e divertir. O problema era que a mãe sempre tentava atrapalhar tudo. E com o tempo isso acabou fazendo com que a adolescente começasse a tomar atitudes rebeldes. Cláudia já não era mais aquela aluna dedicada de antes, já não tinha mais pudor de ficar com vários meninos em uma noite e, para completar foi aos poucos começando a beber demais, fumar excessivamente e usar drogas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Paola vivia alertando Maurício sobre as coisas erradas que a filha andava fazendo. No entanto, como ele havia passado a vida toda ouvindo as mentiras que a mulher inventava para prejudicar a filha, acabou não acreditando que Cláudia realmente estava estudando de menos e se drogando demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Para piorar, Paola, contra a vontade de Maurício (que nas poucas vezes que transava com a mulher não usava camisinha porque ela dizia que estava tomando pílula) engravidou de novo e deu a luz a Fábio. Como a situação financeira da família não andava muito boa, Maurício precisava trabalhar cada vez mais e restava-lhe pouquíssimo tempo para se dedicar aos filhos. Assim, Cláudia fazia o que queria, já que o pai não tinha tempo para controlá-la e a mãe agora só pensava em cuidar do caçula Fábio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Ao entrar na faculdade, logo nos primeiros períodos, Cláudia já ficou com a fama de corrimão. Depois de ficar com diversos garotos, ela acabou namorando “sério” um rapaz. O nome dele era Renato. Para os padrões de Cláudia, que não gostava de assumir compromissos com ninguém, o namoro durou bastante, já que foram dois anos. Renato chegou até a conhecer a família da garota. Mas os dois acabaram se desentendendo um dia e Cláudia sumiu do mapa, sem deixar rastros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Mais ou menos sete meses depois, Paola e Maurício receberam a notícia de que a filha, que estava sumida, teve uma overdose e, em circunstancias não muito claras, acabou morrendo. O médico que ligou do hospital não quis dar detalhes sobre a morte da garota. E, ao tentar obter informações no hospital, Maurício descobriu que os laudos médicos sobre o caso de Cláudia haviam misteriosamente desaparecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Muito atordoado, com toda aquela situação, Maurício que sempre foi apaixonado pela filha, acabou tendo uma briga séria com Paola. Isso porque a mulher não demonstrava tristeza alguma em relação à morte da filha. Pelo contrário, ela parecia estar alegre por, finalmente, ter o marido de novo só para ela. Só que enfurecido com essa insensibilidade de Paola, Maurício acabou abandonando a família. E ninguém nunca mais teve notícia alguma sobre ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Depois de ter sido largada pelo marido, Paola aos poucos foi enlouquecendo. Primeiro ela só chorava e tomava milhões de calmantes para conseguir dormir sem ter Maurício ao seu lado. Posteriormente, começou a ser perturbada por lembranças do passado. Milhões de arrependimentos foram surgindo em sua mente por ela ter tratado mal tantas vezes a filha. Assim, com o tempo, ela passou a se culpar por tudo de ruim que tinha acontecido na vida de Cláudia, chegando a acreditar que era responsável pela morte da filha. Dessa forma, acabou um dia se suicidando ao tomar cinco caixas inteiras de &lt;em&gt;Lexotan&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
No meio de toda essa confusão Fábio, que foi abandonado pelo pai que sumiu e pela mãe que se matou, ficou sozinho. Sem ter nenhum parente próximo que pudesse assumir sua guarda, o menino de sete anos foi morar num orfanato. Lá ele cresceu acreditando que sua irmã tinha morrido em um acidente e que sua mãe tinha se intoxicado sem querer. Quanto ao pai, o menino guardava esperanças. Ele acreditava que um dia Maurício apareceria no orfanato e o tiraria daquele inferno. Todavia o pai nunca apareceu. E, foi somente depois de adulto, quando se mudou para o Rio a trabalho, que Fábio conseguiu deixar de lado suas ilusões e descobrir toda verdade sobre as fatalidades que marcaram sua triste infância.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
&lt;/span&gt;
***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ofegante e desesperado, Renato chega ao Hospital e encontra Lídia chorando aflita. Ela conta ao marido que a filha sofreu uma parada cardíaca e encontra-se no CTI, correndo risco de vida. Com as mãos trêmulas e as pernas bambas de tanto nervoso, Renato tenta consolar a mulher, que subitamente lembra daquele envelope que recebeu e de supetão pergunta ao marido:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Renato o que significa esse teste de paternidade?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, os dois são interrompidos por um senhor de barbas e cabelos brancos, que se dirige a Renato dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Com licença, Renato, não sei se você se lembra de mim... Mas nos conhecemos mais ou menos 20 anos atrás... Sou o pai da Cláudia. Dela tenho certeza que você se lembra, não é?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
&lt;/span&gt;        
***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim que sai do estacionamento do Hospital, Totti percebe que alguém está seguindo seu carro. Desconfiado, ele acelera. O Peugeot preto com capô cinza, que está poucos metros atrás dele, acelera ainda mais, chegando bem perto da traseira do carro de Totti.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="center"&gt;
&lt;/span&gt;
***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Passado algum tempo, um estranho entra no CTI do Hospital sem que ninguém perceba. Lentamente, sem fazer barulho, essa pessoa se aproxima da cama onde Bia está deitada. Intuitivamente, a garota abre os olhos e, mesmo com a vista embaçada, consegue ver que uma mão está prestes a desligar os aparelhos que ajudam a mantê-la viva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-110233455014421014?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/110233455014421014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=110233455014421014' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110233455014421014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110233455014421014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/12/captulo-10.html' title='Capítulo 10'/><author><name>Rafael F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06521310881714956548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-110118756999415431</id><published>2004-11-23T03:03:00.000-02:00</published><updated>2004-11-23T03:52:28.870-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 9</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como todos sabem, estamos entrando na reta final deste fenomenal projeto que muitos não acreditavam que pudesse dar certo. Sabendo que apenas mais três pessoas terão a obrigação de formular um desfecho para esta trama, tentei amarrar ao máximo o que podia, respondendo a diversas questões que estavam soltas. Com certeza, devido a isso me alonguei mais do que podia, porém, acredito, não mais do que devia. Aqui vos deixo esta humilde contribuição que lhes tomará alguns minutos, mas que, espero eu, não lhes tome o ânimo de continuar a ler.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Rafael França&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 9&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao abrir o envelope, Lídia se deparou com o nome de alguém que o exame dizia ter 99,6% de certeza ser o pai de Bia. Realmente aquilo não poderia estar certo. Renato lhe havia dito há 18 anos quando se conheceram que Bia era sua filha com uma mulher que havia morrido em um acidente e que, como ela não possuía família, seu último pedido antes de morrer fora o de que a menina fosse entregue ao pai. Renato tinha acabado de sair da universidade e possuía um trabalho que mal pagava suas contas, quem o ajudou a criar Bia durante aquele ano foi seu tio. Até que ele conheceu Lídia, e em menos de um ano já estavam noivos e com o casamento marcado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lídia aceitara Bia como sendo sua filha, colocou até seu sobrenome na garota, no entanto, sempre tentou ter um filho de Renato. Quando finalmente conseguiu, o perdeu devido a um mioma em seu útero, o que a obrigou a não poder ter mais filhos. Desde o início, Lídia concordara com a história de que ela e Renato haviam se conhecido, namorado e se casado dois anos depois de Bia ter nascido. Até aquele momento parecia que a história havia sido bem acobertada, no entanto mais alguém sabia da mentira e pior, parecia que Renato não havia lhe contado toda a verdade em relação à Cláudia, ele não era o pai de Bia, e ela não podia creditar que o verdadeiro pai era... Totti, não – gritou Lídia ao ver Totti partindo enfurecido para cima dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vocês o mataram, sua filha da puta! – gritava Totti loucamente, agarrando o pescoço de Lídia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você está louco? – disse Lídia com dificuldade, tentando se desvencilhar de seu agressor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes que ele pudesse cometer alguma atitude mais desesperada, dois enfermeiros o agarraram e, com certa dificuldade, conseguiram aplicar-lhe um sedativo. Na mesma hora os olhos de Totti se fecharam e seu corpo amoleceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato se mantinha atônito na frente do computador. Tudo bem que as coisas já não faziam sentido, mas aquilo já era demais. Competir com quem? Com o que? O que era o prêmio. Renato gelou. Estão jogando com as nossas vidas – pensou. Renato passou vários minutos revirando os arquivos de Lúcio e não encontrou nada substancial. O motivo que o trouxera ali era a relação que Ana poderia ter com a morte de Marcos. O nome de Ana não lhe era estranho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A filha de Lúcio, que se chamava Amanda, coincidindo com o nome da falecida, poderia ser amiga desta tal Ana. Lúcio guardava o nome de todos os amigos de Amanda e Huguinho numa pasta em seu computador e foi para lá que Renato guiou o mouse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada, que merda! – pensou Renato &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então que uma solução simples lhe fez esboçar um sorriso de alegria. Renato ligou o Mac G5 que havia na mesa de Lúcio e o conectou a rede. Na barra de endereço digitou: &lt;a href="http://www.orkut.com/"&gt;http://www.orkut.com/&lt;/a&gt;, ali, Renato encontrou as respostas que precisava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato sempre implicava com Bia pela garota se dedicar tanto a este site, nunca imaginara que ele poderia lhe ser útil. Usando a senha e o login que sua filha usava, e que ele conhecia, pois não a deixava ter segredinhos na net – ele sempre temera que Bia se metesse com algum tarado e por isso a vigiava de perto-, Renato adentrou a este antro de vadiagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Orkut era um dos melhores meios de se investigar uma pessoa. Com ele era possível descobrir quase todo tipo de coisa que uma pessoa gosta. Claro que isto alimentava altas teorias conspiratórias envolvendo Microsoft, Google e etc. No entanto, o que Renato procurava estava longe de ser conspiratório. Em alguns minutos buscando, Renato conseguiu criar uma cadeia incrível de conhecidos. Bia, que conhecia Amanda, que conhecia Ana, que conhecia a falecida Amanda e que juntas, as duas últimas faziam parte da comunidade MM 4 ever. Bingo! Ana era a chave.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lídia chorava compulsivamente. Não sabia se de pavor por Totti, por medo de perder Bia, por Renato tê-la ludibriado, ou se tudo estava tão preso dentro dela que aquele era o momento de soltar e ninguém repreende-la. Rapidamente os enfermeiros lhe deram um copo com calmante, mas Lídia recusou. Precisava se manter alerta. Passados 10 minutos Totti começou a acordar de seu sono, os enfermeiros ameaçaram leva-lo para uma sala de segurança, mas lídia intercedera por ele, pedindo para que o deixassem ali, pois nada passara de um choque por saber que o filho havia morrido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao abrir os olhos, Totti se vira, ainda sonolento, para Lídia e começa a chorar em seu ombro lhe pedindo desculpas, pois não soubera por quê razão a atacara. Após algum tempo, em que só se ouvia o soluçar de Totti, ele olha para Lídia e diz: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

- Ele era só um garoto, não podiam ter feito isso com ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Podiam quem Totti? Do que você está falando? – perguntou Lídia intrigada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele não te contou? Aquele canalha do seu marido não te contou o que nós descobrimos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Peraí, porque toda essa revolta contra o Renato? O que ele fez?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele estava nos mandando caixas, caixas com... com... – as palavras embargaram na boca de Totti. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Com o que Totti? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Com uma foto, uma foto de Claudia e nós. De uma festa de natal que fizemos em 81. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cláudia, você diz, a antiga namorada do Renato?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Lídia, ela foi muito mais que uma simples namorada do Renato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele momento o coração de Lídia disparou. Totti sabia de algo em relação a Cláudia. De repente sabia da verdade que até a pouco ela desconhecia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas horas antes Ana, uma linda loira de 1,65 de altura e olhos castanhos, entrara num carro que havia parado em frente ao seu condomínio. Ela bate a porta e diz para o motorista: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Puxa, você demorou! A sessão começa às 8 e meia, Fábio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Fábio era alto, olhos castanhos e tinha os cabelos castanhos batendo nos ombros. Aparentava ser um pouco mais velho que Ana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu sei, me desculpa. Não deu para eu chegar mais cedo, ainda temos 20 minutos. – disse Fábio com sua habitual voz grave e ressonante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Vai estar uma fila imensa quando chegarmos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu já comprei os ingressos pela Internet. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ah ta. Menos mau. Até que você é espertinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
O carro seguia pela pista. Agora, já passada a raiva inicial, Ana se vira e dá um beijo nos lábios de Fábio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- E você, como está, melhorou? – perguntou Fábio &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Vou indo. Lembrei da Amanda hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Fábio sentiu que sua tentativa de leva-la ao shopping não iria anima-la. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Olha Ana, desculpe não poder ter estado do seu lado essa semana como eu devia, mas é que o trabalho estava me consumindo muito. A redação tava uma bagunça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu entendo. O que importa é que estamos juntos agora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Tentando dissipar o clima de tensão do ar, Fábio liga o rádio. Começa a tocar uma música da Alanis e Ana começa a chorar, lembrando do show que havia ido com Amanda no Claro hall.
Fábio percebe a mancada, e desliga o rádio. Ana enxuga as lágrimas e agora é ela quem busca quebrar o clima de tristeza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O natal ta chegando, já comprou meu presente? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Fábio fecha a cara. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Você sabe que eu não gosto dessa data. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ah, é. Desculpa, eu tinha esquecido – diz Ana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Não contente com a mancada dada por ela agora, continua: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Fábio, você precisa superar isso amor. Faz tanto tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não me peça para esquecer, Ana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não to te falando isso. Quero dizer que a Cláudia não gostaria de te ver assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

O nome da irmã surtiu um efeito devastador no coração de Fábio. Fábio tinha 7 anos quando Cláudia morreu. Sua mãe lhe havia dito que fora um acidente de carro no Rio de Janeiro. Somente este ano quando ele se mudou para o Rio a trabalho é que ele descobriu a verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- É, eu sei. Minha família sempre comemorava o Natal, mas depois que a Clau – daí ele não passou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Por alguns segundos se fez silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- 20, né? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Oi?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Você me disse que esta semana faria 20 anos do acidente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- É, vinte... do acidente... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Então amor. Vamos fazer o seguinte. Passa o natal lá em casa. Minha família é muito religiosa. Nós rezaremos pela Amanda e pela Cláudia junto. Tenho certeza que a Clau gostaria de ser lembrada nesta época. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ser lembrada – Fábio repetiu essas palavras bem baixinho. É, ela deveria ser lembrada mesmo. Por todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
O transito estava tranqüilo para um sábado à noite. Em alguns minutos eles já estavam no estacionamento. O resto do percurso havia transcorrido sem muitas palavras.
Ao sair do carro e bater sua porta, Ana diz: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Amor?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Oi – respondeu Fábio, fechando sua porta e apertando o botão do seguro. O que fez o carro piscar o alerta e emitir um som característico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O que aconteceu com o seu capô? Ta de uma cor diferente, ta cinza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Pois é – Fábio tentou não enrolar as palavras – Um idiota freou do nada hoje cedo quando eu tava saindo da garagem e eu fui direto na traseira dele. Tive que trocar a frente e vou mandar pintar na segunda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- E você não me falou nada? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não queria te preocupar. Por isso me atrasei também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ai, meu Deus. E eu fiquei brava contigo. Você se machucou? Deixa eu ver – Ana passou a vasculha-lo como que procurando algum membro quebrado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não, foi só um susto. Então, vamos pro cinema logo. A sessão acabou de começar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;

*** &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Lídia, a Claudia não morreu em um acidente de carro, como o Renato lhe contou. A história foi muito mais triste, e me envergonho de ter contribuído nela. Já não tenho mais por quê tentar esconde-la, a coisa que mais amava neste mundo se foi, e com ele um pedaço de mim foi junto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Detalhadamente Totti contou a Lídia o que acontecera a Cláudia. Seu namoro com Renato, a separação, a gravidez descuidada, a transa entre ela, ele e Otto, as drogas que consumiram e por fim o hospital e a morte de Cláudia. Quanto mais ouvia a história, mais Lídia se sentia traída por Renato. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

- Então, nos últimos dias começamos a receber envelopes estranhos que continham uma foto dessa festa. – disse Totti, esperando que Lídia fizesse alguma pergunta sobre Cláudia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Quem começou a receber? – perguntou Lídia &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu recebi, o Otto recebeu e o Lúcio também, de acordo com a Marisa. Quando estivemos na sua casa há algumas horas falamos isso com o Renat... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Peraí, peraí – disse Lídia cortando-o - quando vocês estiveram na minha casa? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Bem, por volta de umas 8 horas da noite, disse Totti olhando para o relógio que agora marcava 1:20 da manhã de domingo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu tinha acabado de chegar da cremação do Lúcio, inclusive eu te vi lá. Você e o Otto conversando com a Marisa. Como vocês estiveram na minha casa e eu não vi? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Quando chegamos você estava dormindo. Queríamos falar com o Renato sobre o que era aquilo. Ele deveria estar querendo nos culpar pelo que aconteceu a Cláudia, mas não tivemos culpa de nada. Antes que a gente pudesse falar ele veio com uma história de que também havia recebido uma caixa e que ia pegar e mostrar que nada tinha a ver com a história. Que idiotas que somos! – um leve sorriso apareceu no canto da boca de Totti – Acreditamos nele e ele fugiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Como assim, fugiu? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Saiu pela janela e pegou um táxi. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Depois ele voltou e nós saímos. Ele veio com uma história de que devíamos viajar e tal, mas... – Lídia ficou muda, acreditara piamente naquele romantismo todo de Renato – era de vocês que ele estava fugindo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- E de que outros seriam? Ele se viu aprisionado e correu como um ratinho. Ele é culpado, senão porque fugiria Lídia? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Você ta dizendo que foi o Renato quem matou o Lúcio? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não sei se ele o matou, mas o Lúcio, assim como nós, todos nós, recebemos a carta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O Renato estava comigo quando o Lúcio morreu. Você não pode acusar o Renato assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Se eu o acuso é porque sei de algo que o compromete. O Marcos Motta morreu no domingo passado. Há exatamente uma semana e ele também recebeu uma... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Uma carta? – interrompeu Lídia &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não, uma caixa. Uma caixa pequena, com uns 5 cm de altura e não mais que 20 de largura. Nela estava a mesma foto que nós havíamos recebido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Peraí, mas eu não li nada sobre uma caixa nos jornais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Os jornais não contaram aquilo que não viram. Alguém havia retirado a caixa do local em que ela estava. Otto descobriu por alguém que foi o segurança do teatro e ameaçou contar pra polícia se não tivesse a caixa de volta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- E ele devolveu? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Claro, um covarde ele. Otto me chamou para irmos juntos pegar a caixa ontem de manhã. Ele acreditava que essa era a fonte para resolvermos a morte de Marcos. Ele não aceitava o fato da polícia ter dado seu filho como morto por overdose. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Esse tal segurança.... enfim, ele deu a tal caixa e disse quem a havia dado e por que a havia escondido da polícia? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não. –Totti falou as próximas palavras com a voz um pouco rouca – não deu tempo. Assim que ele deixou a caixa no lugar combinado ele saiu do teatro e foi pego por um carro que o matou.
- Quer dizer que a única pessoa que realmente pode ter visto o assassino de Marcos está morta?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Exatamente. Morta misteriosamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Neste momento Lídia sentiu um gelo percorrer todo o seu corpo. No dia anterior Renato havia chegado em casa bem cedo depois de uma noite toda no IML. Ela se lembrava que logo depois que ele chegou em casa elas haviam saído deixando-o sozinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O que houve Lídia? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ontem de manhã. O segurança morreu ontem de manhã?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Foi isso. Por que? Lembra de algo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não, nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu sei o que está pensando Lídia. Você deixou Renato sozinho em casa e saiu com a Marisa, não foi? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ela te contou? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Sim. Eu sei para onde o Renato foi, Lídia. Eu estava no carro esperando o Otto pegar a caixa quando o vi chegando. Provavelmente ele queria a mesma coisa. Já havia eliminado uma testemunha e agora estava querendo a caixa por algum motivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Lídia não conseguia absorver aquilo tudo. Eram muitas coisas novas para ela entender. Renato não poderia ser um assassino. Mentiroso, sim, ela já havia descoberto que ele era, mas assassino não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu entendo Lídia, deve estar sendo duro para você, mas ainda tem mais. Os filhos do Lúcio foram seqüestrados hoje quando estavam chegando ao Rio vindos da casa da avó em Teresópolis, a Marisa está desorientada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu fiquei sabendo, o Renato me contou quando nós estávamos em casa.
- Como assim, quem contou pra ele? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não sei, parece que alguém ligou e contou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Mas ninguém sabe disso. Nem a polícia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;

*** &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Ao saírem do cinema Ana preferiu ir para casa, Fábio tinha planejado uma esticadinha até um hotel no alto, mas a garota estava com dor de cabeça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Até mais, amor – disse Ana lhe dando um beijo e saindo do carro rumo a seu condomínio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Até. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Amanhã eu te ligo. Minha mãe vai fazer um almoço aqui amanhã. Ta afim? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- É pode ser – finalizou Fábio não muito contente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Ao sair Fábio olha para o relógio. Ainda são 11 horas. Ele tem algumas coisas para fazer. Pega o celular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
*** &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

O Renato não seria capaz de algo tão sujo como aquele. Os pensamentos de Lídia não se encaixavam, Renato não poderia ter matado Marcos, nem Lúcio, e nem o segurança. Os filhos do Lúcio serem seqüestrados um dia depois da morte do pai era algo que não se encaixava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Mas porque seqüestrariam os filhos do Lúcio? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Isso eu não sei. A Marisa nos disse que o Lúcio havia recebido a tal carta na quarta e que mandara os filhos para a serra no dia seguinte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Você acha que tem alguma relação entre a carta e os filhos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não. Mas acredito que aquela não era a primeira carta que Lúcio recebia. A Marisa disse que ele andava meio perturbado ultimamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Ainda assim as coisas não se encaixavam, algo ainda faltava. Lúcia hesitou, mas resolveu tocar no assunto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

- Totti, quando você soube – nesse momento a voz de Lídia parou como se estivesse preste a pronunciar algo profano – e você me viu aqui e me atacou.... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Já lhe pedi desculpas. Estava, quer dizer, ainda estou muito abalado – disse Totti, com lágrimas voltando a lhe cair pelos olhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Quando você me viu – continuou – você disse que nós é que tínhamos – mais uma vez ela não completou a frase – Nós nem estávamos lá, Totti. Ele estava com a Bia. Dormindo ao lado dela. Eu e o Rê havíamos ido ao teatro e quando chegamos ele já estava...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Em relação ao que aconteceu hoje eu não tenho o que dizer – disse Totti, já com uma cachoeira caindo por suas bochechas e com a voz trêmula. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ele estava imóvel quando nós chegamos. Parece que ele havia comido algo que lhe fizera mal. A Bia também estava meio grog quando nós a encontramos. A língua dela estava inchada, ela teve que vomitar tudo pra conseguir ficar de pé. Totti, eu sinto muito, não pudemos fazer nada pelo Júnior, quando a ambulância chegou ele já estava... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
A voz de Lídia parecia distante para Totti neste momento. “Parecia que ele havia comido alguma coisa”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Lídia parara de falar e começara a observar o corredor. No final dele estava uma porta que se abria e fechava toda hora permitindo o trafego de enfermeiros e médicos para os aposentos dos doentes. Em um desses leitos, recebendo soro, estava Bia. Lídia só conseguia pensar nela e na sorte que tiveram de chegar a tempo de salva-la. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Como um raio Totti se levantou do banco na sala de espera e correu para o estacionamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Quando acabara de enviar um e-mail para Ana pedindo que ela entrasse em contato urgentemente com ele, um som apitou na caixa de mensagens de Lúcio. Renato decidiu conferir o que era. Era mais um spam. Quando ia fechar o correio e desligar o computador um e-mail que lhe havia escapado chamou sua atenção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;Laboratórios R. B. Norbert
Seu exame já está disponível. Nosso horário de funcionamento é de...&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Renato parara de ler. A o que aquilo se referia? Ele pegou o endereço. Apareceria lá na segunda pela manhã, antes do interrogatório. Agora ele precisava ir para o hospital saber como a Bia estava. Ele havia ligado para o celular de lídia durante todo o tempo e somente caia na caixa postal. Renato desliga tudo e sai. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Ao abrir o porta malas de seu carro, Totti retirou a caixa vermelha. Antes que Lídia pudesse perguntar o que havia acontecido Totti abriu a caixa e deu um grito de ódio que pôde ser ouvido por todo o estacionamento, quase deserto àquela hora da noite. Ali, na caixa já não estava mais a bala que eles suspeitavam ter matado Marcos Motta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ele comeu – disse totti, aos prantos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O que? – disse Lídia, ao chegar, esbaforida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O Júnior, ele comeu a mesma bala que o Marcos Motta. Foi minha culpa, eu não devia ter deixado a caixa no centro lá de casa. O Renato matou o Marcos e agora conseguiu me atingir matando o Júnior. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Totti se remoia de remorsos nesse momento. Quando ele estava na casa do Renato não havia aberto a caixa e, portanto, não deu falta da bala. Esse erro provocara a morte de seu filho, seu próprio filho. No entanto isso não inocentava Renato. De maneira alguma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu vou matar aquele desgraçado – bravejou Totti. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
O celular de Lídia começou a tocar. Nesse momento ela percebeu que dentro do hospital não havia sinal e se Renato tivesse tentado falar com ela para dizer aonde havia ido com tanta urgência, não havia conseguido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;Chamada não identificada&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
De que adiantavam os binas de celulares se as próprias operadoras ofereciam o anonimato aos clientes, se perguntava Lídia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Alô – disse Lídia, esperando ouvir a voz de Renato lhe explicando toda confusão que fora armada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
No entanto, do outro lado da linha, uma voz grave e ressonante lhe respondeu de forma sombria: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Você não deveria tê-la deixado sozinha de novo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Sem pensar duas vezes, Lídia deixou cair o celular e correu novamente em direção ao corredor do hospital. Aqueles metros pareciam quilômetros. Ao chegar ao corredor branco e longo ela só conseguiu ver a movimentação que estava ocorrendo no final dele. Com as pernas bambas e com a visão turva, Lídia correu até o final, sendo parada por enfermeiros que estavam neste momento na porta do quarto de sua filha. Lídia gritava e se debatia, mas os fortes braços a seguravam. De dentro do quarto ela somente podia ouvir uma voz imperativa dizer: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Afastar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
E um som de um estalo ecoou pelo recinto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Carregar em 200. Afastar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Até que, por fim, um pi contínuo e monótono rargou o silêncio por ele criado. Nada se ouvia. Apenas um pi, contínuo e monótono. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;


*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

Renato estava exausto ao volante. Pensava que quando tudo aquilo fosse resolvido ele, Lídia e Bia viajariam juntos. Fernando de Noronha, quem sabe?! Bia faria 20 anos naquela semana e decidira não querer festa, preferia comemorar no dia das bodas, que seria no domingo, 26 de Dezembro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Um dia meio estranho pra festa, não – disse Renato quando Lídia lhe confirmou a data. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Era o único dia livre no salão. E você sabe que ele é super concorrido. Se não fosse dia 26 só seria em Abril O bom é que comemoramos o aniversário da Bia também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Faltavam 4 dias para sua filhinha completar duas décadas. Como ele se orgulhava. Por um instante Renato deixou seu pensamento voar. 23 de Dezembro, 20 anos. 23 de dezembro... Renato largou a direção e o carro saiu descontrolado para o canteiro, antes do carro bater, Renato freou bruscamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Não pode ser. A bia nasceu três anos depois da festa – disse Renato, incrédulo. Três anos depois Cláudia também morrera. Renato nunca assimilara a coincidência da data.
A foto era um recado, então – pensou - Os olhos de Renato se encheram de lágrimas - Nós não deveríamos tê-la deixado sozinha com o Júnior, por isso o Lúcio tirou as crianças daqui, ele desconfiou de alguma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
O carro de Renato estava atravessado no meio da pista deserta. Com as mãos trêmulas ele pega o celular e disca o número de Lídia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Há alguns quilômetros dali, no estacionamento do hospital o celular começa a tocar. Ninguém o atende. Ele está caído no chão. Ao seu lado está o carro de Totti e mais à frente, dando partida para sair do estacionamento, está um Peugeot preto com capô cinza. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
***&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-110118756999415431?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/110118756999415431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=110118756999415431' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110118756999415431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110118756999415431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/11/captulo-9_110118756999415431.html' title='Capítulo 9'/><author><name>Rafael F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06521310881714956548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-110082534069278313</id><published>2004-11-18T22:42:00.000-02:00</published><updated>2004-11-20T12:54:18.816-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 8</title><content type='html'>&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:verdana;" &gt;Olá crianças. A seguir vocês desfrutarão de mais um novo capítulo do nosso pretensioso conto. Rss... Espero que gostem. Trouxe algumas respostas mas lancei mais dúvidas, charadas angustiantes. Divirtam-se:
Samuel Strappa
&lt;/span&gt;
&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:verdana;" &gt;Capítulo 8&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Tomás Antônio de Oliveira Junior acabara de acordar. Sua cabeça doía e seu corpo pesava. Lembrou-se da noite anterior que curtira com Beatriz. Sorriso curto. Olhou para o relógio e percebera que havia dormido além do costume. Da janela, viu o sol quente, tarde de verão. Saiu do quarto e não encontrou ninguém em casa. Para onde foram todos? Visitou a geladeira, preparou um leite com chocolate em pó. Dirigiu-se até a sala de estar, a tevê estava ligada. No canal, o dia a dia do leão, rei da selva, seus costumes e movimentos documentados nas savanas africanas. Júnior senta-se no grande sofá de couro, móvel caro, preciosismo do pai. Muda o canal, assiste videoclipes, programa de rock do jeito que gosta. Sob a baixa mesa da sala, na frente do garoto, estava uma caixa vermelha de fita cetim dourada, forma natalina, a data comemorativa estava próxima. Pegou-a, de dentro, retirou uma foto. Percebera seu pai jovem junto dos amigos da faculdade. Engraçado ver seu pai, de igual só herdara o nome, devia ter a fisionomia da mãe. Virou a caixa, dela caiu uma bala doce envolta num embrulho vermelho de listras douradas. Estranho mas atrativo. Lembrou que seu pai não saboreava doces. Guardou-a no bolso.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Estacionaram o carro na frente da casa. Junior corre até a janela, é seu pai quem chega acompanhado de três amigos. Péssima idéia ser flagrado pelo pai naquele estado. Acabara de acordar, sem banho tomado, assistindo tevê e ainda não estudara. Numa corrida, o garoto desliga o aparelho, recolhe seu copo e sobe as escadas. Tomás entra em casa acompanhado de Marisa. Grita pelo filho e esse não responde. Pede um minuto e vai até o quarto do menino.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Junior, meu filho. Não me ouviu gritar seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Perdão pai. Estava entretido nos estudos e não escutei o senhor chegar.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Certo. Escuta, tenho de resolver um problema junto a um grupo de amigos e volto só à noite. Espero encontrá-lo na volta. Precisamos ter uma conversa.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Algo sério pai?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Não se preocupe. Concentre-se nos estudos.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Pai! Podemos adiar a conversa para amanhã? Talvez saia hoje à noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Olha! Vê se não me apronta nada. Estou cheio de problemas. Mas pode sim. Amanhã a gente se fala.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
No susto, Junior acorda com o toque do telefone. Havia pegado no sono depois de, ao invés estudar, ler gibis japoneses. Habitual a adolescentes, dormem muito. Era Beatriz, hiper ativa, convidava-o para ir a sua casa. O garoto rápido se arruma. Não conseguia imaginar o que poderia ser. Querer “ser feliz”, se for o que pensava, seria maravilhoso, não disfarçava o sorriso. A ansiedade era tamanha. Bia era uma garota audaciosa, criativa, com certeza aconteceriam bons momentos, e curtiriam-nos juntos, grudados, como um bom casal de namorados. Na saída, encontra Tomás e se despede. Seu pai nada perguntara, apenas consentira. Estranho, mas Junior não se preocupou e nem quis, na sua cabeça apenas um pensamento, preferia manter-se assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Foi o filho fechar a porta para Totti pegar o celular.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Chegando na porta da casa de Beatriz, Junior ajeita os cabelos e a roupa, testa o hálito, desaprova. Na pressa esquecera de escovar os dentes. Lembra-se da bala de embrulho vermelho. Por sorte a guardara no bolso. Desenrola-a e leva a boca. Como era saborosa, fazia tempo que não encontrava uma bala tão gostosa. Toca a campainha.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;****&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Lídia sentia-se bem, como a muito tempo não sentia. Estava feliz. A inesperada saída com seu marido a emocionara. Viu-se, de novo, apaixonada. Orgulhava-se de seu casamento, do bom marido que escolhera. Ansiosa, na volta para casa, lembrava das bodas, queria festejá-la como nunca. Reportar aos amigos e parentes sua felicidade. Renato retribuía seus sorrisos, estalava na face da esposa suaves beijos. Planejaram uma ida ao motel e Lídia, caprichosa, preferia passar primeiro em casa para buscar um vestido adequado.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Adentraram a casa. O aparelho de som estava ligado. Coisas de Ana Beatriz, ela sempre esquece. Lídia pede para Renato buscar o vinho na estante, vinho valioso, presente de uma amiga francesa, não havia bebido pois aguardava um momento propício. Acreditava que era este o momento. Ela dirige-se ao quarto. Enquanto caminha, retira os sapatos. No chão, terminava um raio de luz vindo do seu quarto, a pequena fresta da porta denunciava a luz acesa. Lídia termina por abrir a porta. Engasga o grito. Sua filha nua, estava deitada na cama de casal ao lado de um desconhecido. Aproxima-se Renato. Esse avança o quarto indo ao encontro da filha. Balança e lhe puxa pelo braço. Desnorteada, Beatriz acorda. Tem dificuldades, sentimento novo, corpo sem força e boca sêca. Olha para o pai, não entende o que este fala. Tonteia-se, suas pernas tremem, gravitam ao chão. Renato percebe a urgência, muda a postura hostil, quer acorda-la, começa com tapas leves no rosto da filha. Está drogada, afirma. Desacreditada, Lídia pede para que Renato deite-a novamente sob a cama. Havia algo errado com o garoto. Diante a toda gritaria, o mesmo nem se mexera. “Olhe ele meu querido”, súplica de Lídia. Renato põe suas mãos sob o corpo do menino, estava frio, sem vida. Sua boca aberta, a língua numa cor vermelha, forte, logo estranhara. “Foi algo que comeram, abra a boca de nossa filha”. Lídia obedece. Segura as bochechas brancas de sua filha, essa abre a boca, a língua estava em um vermelho mais atenuado, rosa. Devia ter consumido a droga em menor quantidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Leve-a agora ao banheiro, Lídia. Tente acorda-la. Feito isso, faça a vomitar, o quanto antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
O grito do pai ressoa no ouvido de Beatriz fazendo-a acordar. Com dificuldades abre os olhos. Percebe sua mãe aflita, aproxima uma das mãos ao peito dessa, batidas rápidas, coração nervoso. Não entendia o que acontecia, por que os gritos do pai? O nervosismo e preocupação da mãe? Do seu lado estava o Juninho, pálido como nunca o vira. Procura lembrar o que acontecera, memória em flashs vagos. Agonia-se. Debate todo o seu corpo contra a cama.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Calma Bia, estamos aqui – acode Lídia segurando rispidamente os braços da filha.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Beatriz acalma-se e se acolhe em choro. Sua mãe a beija.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Chega de boas maneiras Lídia. O que você consumiu com esse garoto, Bia? Que drogas usaram?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Garoto? O Júnior? Nada pai. Juro que nada. Minha cabeça tá numa dor horrível mas juro, nem álcool bebi.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Ele usou? – Pergunta o pai aflito.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Não que eu saiba.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Você o beijou?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Sim pai, que pergunta! Ele é meu namorado, ora bolas!&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Foi o beijo - conclui Renato – Ande Lídia, leve-a ao banheiro e vamos ao hospital em seguida.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Renato pega a calça jeans do garoto e revira o bolso. Tira a carteira, e no documento de identidade lê o nome. Surpreende-se. Ele é filho do seu amigo Tomás Aquino. Renato frageia as mãos deixando cair a calça. Beatriz corre gritando à procura do corpo de seu namorado. Lídia havia lhe contado. A menina abraça o corpo de Júnior e chora.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Renato senta-se no chão do quarto levando suas mãos à cabeça. Refletia. Que vida louca era aquela? Por que minha filha foi se envolver com o filho de um dos meus amigos? Por que alguém nos persegue e tira vidas? Por que meus amigos me culpam? Por que nossos filhos? Ao lado esquerdo do seu pé sentira um barulho estranho, mexeu-o para ver se o mesmo repetia, identificou o papel de bala, vermelho com listras douradas, mesma decoração da misteriosa caixa. Nela estava o veneno, logo raciocinou. Então era assim que ele matava, com um veneno em uma humilde bala. Estremeceu. Tentou lembrar da caixa vermelha que recebera, não via em sua mente nenhuma bala. Lúcio? Mesmo se tivesse, ele não chuparia, o seu ex-sócio odiava balas e chicletes. Márcio Mota?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Meu bem! – Renato chama por Lídia – Por favor minha querida, onde está o jornal que me lera esses dias atrás com a notícia da morte de MM?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Como pode querer uma coisa dessas nessa hora meu querido? – Pergunta Lídia em choro.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- É importante meu bem. Tenho de lê-lo agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Em cima do armário da cozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Renato guarda o papel de bala em seu bolso e vai buscar o jornal. Procura as páginas, o nervosismo dificultava sua ação. Encontrou a notícia, leu um pouco e foleou mais algumas páginas e encontrou em um único parágrafo, em informações ínfimas, a morte de uma estudante no mesmo dia, Amanda Bastos. Morrera no hospital após ter sido levada por algumas amigas que também estavam com ela no espetáculo de Márcio Mota. Nome de uma das amigas: Ana Carolina Silva Bueno.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Demorou muito mas Lídia conseguiu acalmar sua filha. Ao perceber a demora do marido resolve ir ao encontro deste e não o encontra. Na mesa um recado escrito pelo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
“Minha querida Lídia, desculpas mas tive de sair com pressa. Tenho que resolver um problema que será a resposta chave para toda essa confusão na qual nos encontramos. Tive de sair no carro e por isso ligarei para a ambulância, provavelmente quando leres ela já estará a caminho. Somente lhe peço uma coisa. Confie em mim. Te amo e muito, um grande beijo, Renato”.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Ouve-se o barulho da sirene. Lídia suspira. Batem a porta.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;****&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;- Por favor! Ana Carolina está?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Está sim. Quem deseja?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Diga que é um amigo dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Poucos minutos se passam.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Ela já está descendo. Aguarde só um minuto. OK?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
Ana Carolina é uma garota de dezessete anos de admirável beleza. Cabelos compridos e louros, olhos castanhos claros, folha seca, de bochechas vermelhas. Como possuía muitos amigos, não estranhara alguém chamá-la na porta de casa naquele horário. Descera correndo, curtia um bom papo. Abre o portão e vê um carro de cor preta. Chamam-na. Ela aproxima, abrem-na a porta e a garota entra. O carro dá a partida e deixa o prédio.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;****&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não houve problemas para se chegar ao hospital. Lídia sentara-se nas cadeiras da recepção e aguardava respostas de sua filha. Preparara um capuccino em uma das máquinas e saboreava. O ar frio do local encolhia seu corpo. Agasalhava-se no casaco. Tomás Aquino entrara no hospital as pressas. Seu encontro com Lídia foi rápido, hostil, desafiara em olhares ríspidos. Passava-se o tempo. Custou pouco mas conseguira pegar no sono. Preferia dormir do que ficar desperta com a cabeça pensando bobagens. Covardia? Mas era melhor assim, almejava descanso. Cochila. Cutucam-na. Era uma enfermeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Senhora Lídia? – pergunta a enfermeira. Lídia concorda com a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Deixaram essa correspondência na recepção para a senhora.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Sabe quem foi?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Pediu para não deixar nome, apenas entregou.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
- Tá jóia então. Muito obrigada, sim?&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;
A enfermeira se afasta e Lídia abre o envelope. Era o resultado de um teste de paternidade e o nome da criança, o mesmo de sua filha.&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;****&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Renato abre as portas da sua agência publicitária. Fazia tempo que não voltava, toda a confusão com a morte de Lúcio, seu sócio, o afastara do local. Faltava coragem. Renato dirige-se à sala de seu sócio. A bagunça continuava, o pessoal da limpeza, provavelmente, não devia ter feito o serviço. Retira o excesso de papel de cima da mesa, fecha as gavetas e busca o Lep Top de seu parceiro. Liga o computador. Ao lado deste a foto de sua esposa. Bonito casal, não? Renato sente pena. Conecta-se a Internet e abre a caixa de e-mail. Como não tinha pensado nisso antes? Eram sócios e confidentes, compartilhavam das mesmas senhas. A probabilidade de Lúcio saber de algo que não era de seu conhecimento era tamanha. Uma vez que antes de seu falecimento, estavam brigados. Maldito Jorge Correia! A caixa estava lotada, muitos e-mails. Renato procura pelos últimos lidos e constata que recebera apenas cinco no dia da morte, quatro eram anúncios de venda e o quinto era anônimo, apenas esse é aberto. Na página aberta, estava escrito cem vezes uma única palavra: Competição.&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-110082534069278313?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/110082534069278313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=110082534069278313' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110082534069278313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110082534069278313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/11/captulo-8.html' title='Capítulo 8'/><author><name>Samuel Strappa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17965551414148377289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-110021892236749281</id><published>2004-11-11T21:50:00.000-02:00</published><updated>2004-11-11T22:45:39.203-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 7</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Para rir e ficar com água na boca por mais um emocionante capítulo da saga da caixinha vermelha com laço dourado. Machado que se cuide. Se Brás foi insolente com o leitor, o que diremos deste narrador.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Gianfrancesco Manfrini Galvan&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Capítulo 7&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Como você sabe de tudo, Lúcio, quem te contou? – pergunta Renato, aturdido, não acreditando no que está ouvindo. Queria acreditar que tudo não passasse de um sonho (mas esta idéia foi vetada). Um sonho não, na verdade um enorme pesadelo (será que assim pode? Vamos deixar quieto).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ninguém, eu tenho olhos para ver. – disse Lúcio no seu característico humor rabelaiseano - Eu vi vocês dois transando naquela noite. Esqueceu-se que o fetiche da nossa querida colega é ser observada enquanto transa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Sério? Você observou a gente? Tudo? Absolutamente tudo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Sem perder um segundo sequer. Foi tudo planejado pela Cláudia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Agora, Renato queria se enfiar embaixo de um travesseiro e acreditar que tudo fosse um sonho (mas como já dissemos, caro leitor, esta idéia foi vetada).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Como você pode fazer isso? Meu melhor amigo..., quer dizer, não sei se ainda considero assim, depois desta revelação.... – Não tinha mais o que dizer, abalado com a atitude do amigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não sei o que tem de mais. – Com um sorriso entre o cínico e o sincero (prerrogativa não exclusiva de policiais) - Você se saiu super bem. - Renato ficou calado, desconfiado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;Será que ele está com segundas intenções", pensou Renato, "hoje em dia (anos 80) tudo é possível, imagine no próximo século, será o Deus nos acuda".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;Lúcio continuou como se não tivesse dito nada chocante:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu queria transar com ela também, mas Cláudia não queria. Então fez uma proposta: se eu observasse vocês dois, dia seguinte transaria comigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- E foi isso o que aconteceu?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Foi. E como foi gostoso! Ainda me lembro...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Pára. – gritou bastante irritado. - Não quero saber dos detalhes sórdidos. Eu poderia esperar tudo de você, menos isso. – Renato mostra seus olhos irascíveis, como se estivesse a ponto de devorar quem atrapalhasse seus planos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não seja tão sensível. &lt;em&gt;Keep cool, brother&lt;/em&gt;. - Renato estava estupefato com a franqueza do amigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Então a criança pode ser sua. - Comenta Renato, com um alívio na voz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Pode, mas também pode ser sua. – Também demonstrando alívio, como quando chega de viagem e tira as mochilas das costas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- E como saberemos? – Renato pergunta querendo ouvir uma resposta plausível.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não sei, sinceramente não sei. - Lúcio ficou pensativo até que de súbito murmura. - Vamos fazer um trato?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Trato? Que trato? – Estranhando as palavras do amigo. Era hora de fazer trato? E que tipo de trato? Será que Lúcio pensou em matar a criança e viria a pedir para guardar este segredo para o resto da vida? Não, não, ele não assiste a dramalhões mexicanos, não deve ser isso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Vamos decidir na moeda. Cara é minha filha, coroa é sua. – A encomenda se saiu pior que o pedido. Nunca na face da Terra Renato poderia imaginar que fosse ouvir uma proposta estapafúrdia dessas, mas, pensando bem, Lúcio tinha umas idéias malucas de vez em quando. Lembrou-se daquela vez em Paty do Alferes quando... esquece, é melhor deixar como está para não comprometer ninguém.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Você está louco? Que idéia mais absurda é essa? – Por alguns segundos, poucos, a sanidade de Lúcio ficou dubitável.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Tem idéia melhor? Tem? – Em tom de repressão, agressividade. Renato não sabia o que dizer. A situação era tão absurda que por um instante pensou em assumir a criança, sem o jogo da moeda. - Então é isso mesmo. – Tergiversou Lúcio com o silêncio de Renato.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- OK. Vamos decidir na moeda. – Concordou Renato, sem medo de se arrepender depois. Será? Lembrou que seu pai sempre dizia que os jovens fazem coisas que se arrependem depois. E muitas. Sábio papai. Esta poderia ser uma delas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Isto ficará entre nós para o resto da vida. – Profere Lúcio em tom ameaçador, fitando os olhos de Renato, como se este estivesse querendo fugir. – Trato é trato. Uma vez acordado não pode ser desfeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;Ouvem-se passos no corredor. É de mulher. Uma enfermeira passa no corredor, carregando uma bandeja com medicamentos, quando...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ei, você pode vir aqui um instante, por favor? – chamou Lúcio, em tom melífluo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Algum problema? Como posso ajuda-los. – A enfermeira foi muito prestativa, como se estivessem em um país de primeiro mundo. Leitores, vamos esquecer um pouco a verossimilhança e nos deleitar com as belas palavras da moça. Afinal, precisamos sair deste mundinho que nos aprisiona em jaulas invisíveis e não nos tornamos feras por normas da conduta social. Porque no fundo, no fundo, todos gostariam de chutar o pau da barraca, levar não sei quem às favas e fazer tudo o que a sua vontade permitisse. Vamos confessem, não é isso? Quem diz o contrário é mentiroso. Que vá fazer Direito, então.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Pode ser idiota pra você, mas para nós é muito importante. Será que a senhora pode jogar esta moeda. É uma aposta, uma aposta muito importante, que decidirá o futuro de nossas vidas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
A enfermeira, achando absurda a situação, achou melhor não contrariá-los e jogou a moeda. Podem ser meus pacientes no futuro, pensou, demonstrando um leve e enigmático sorriso no canto da boca, mas não tão enigmático quanto o de Gioconda. O coração dos dois rapazes bateu forte. Apesar de sempre firme nas decisões, desta vez, as pernas de Lúcio tremiam. As mãos de Renato suavam, a testa vertia água feito chafariz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
O tempo não passa – Pensa Lúcio - Por que demora a cair? É tão fácil! Quando a gente precisa da Lei da Gravidade ela não funciona. Maldito Newton, Einstein e todos estes frustados sexuais! Lúcio tem tempo para observar as formas voluptuosas da enfermeira, os seios fartos e as pernas bem torneadas por horas diárias na academia, sem esquecer é claro do bronzeado. Pensa em convidá-la para sair. Será que tem noivo? Namorado? Vê a mão dela. Tem uma aliança. É casada. Não importa. O adultério está aí pra isso. O que seria da humanidade sem o adultério? – Indaga-se, mostrando um sorriso enigmático que ela finge não observar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Coroa. - Fala bem alto a enfermeira. - Quem venceu? – Toda curiosa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ele. Que pena! Fica para a próxima. – diz Lúcio chateado - Obrigado pela sua ajuda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não há de quê. – diz sorridente. - Sempre que precisar estamos às ordens. – Babaca, pensa a enfermeira, como tantos outros que existem neste planeta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
"É bom saber", pensa Lúcio, "Vou ordenar logo, logo".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Toma que o filho é teu. – Afirma Lúcio, entregando a moeda para Renato, como um fato consumado. – Não adianta, perdeu playboy - gíria típica dos malandros cariocas, coisa que irritava profundamente Renato.
&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;
***
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não se faça de desentendido – grita Otto – nós sabemos de tudo. É você quem está mandando estas caixas pra gente. Confessa, desgraçado. Chegou a hora da verdade – Aquele que quando irritado encarna Márcia. Mexeu com meus amigos, mexeu comigo. Só faltou dizer isso. O resto foi igual. Sem tirar nem pôr.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- De onde você pode tirar esta idéia absurda. Eu nunca faria isto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Cínico! – Esbraveja Otto, querendo dar um murro na face bem cuidada do amigo, tratada com cremes importados que só a burguesia carioca é capaz de pagar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Eu também recebi uma caixa igual a esta, como poderia tê-las enviado? – Pergunta inconformado com o que acabara de ouvir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Prova. Queremos vê-la. - Desafia Marisa, num tom de voz nada autoritário, como se tivesse dito que queria um cachorro quente. A ênfase seria: com muito molho.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Está no meu quarto. Só um instante.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Tomás, vai com ele. – Ordena Otacílio - Ele pode tentar fugir. – Tomás dá um passo à frente quando Renato diz:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Eu não admito que vocês estejam desconfiando de mim. Eu os conheço há quanto tempo? Quantos anos? Além do mais, vocês não têm autoridade nenhuma. Eu vou lá, pego e trago a caixa em um minuto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Está bem – concorda Marisa, em um tom de quem pede mais mostarda ou catchup, com a desaprovação de Otacílio – mas não demore.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Marisa sempre foi a mais boazinha (no bom sentido) da turma, por isso nunca cresceu na vida. Só cresce na vida quem transgride às regras. Não se assuste, caro leitor, porque com certeza você conhece alguém que pensa assim, se não for você próprio. Você está cansado de ver nos filmes que o bem sempre triunfa sobre o mal. Alôoooo? É ilusão. Chega de ir ao cinema e vá estudar. Faça algo útil da vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Renato finge que vai para o quarto, mas na verdade vai para a cozinha e sai pela porta da lavanderia. Enquanto isso, a turma vasculha a sala da casa de Renato em busca de algo que possa incriminá-lo. Não encontram nada. Claro, meus queridos, ele é muito mais esperto do que vocês possam imaginar. Renato não deixaria provas contundentes na sala de sua casa, o primeiro lugar que seria revistado. Botem a cachola para funcionar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ele está demorando muito. Vou ver o que está acontecendo. – Fala Tomás.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Deve estar com medo – xinga Otto – não tem caixa nenhuma consigo, é tudo balela, típico daquele safado ordinário. Mas agora vai aprender a não brincar com coisa séria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Tomás volta correndo, afobado:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ele não está no quarto. Só está Lídia, dormindo. Deve ter tomado um sedativo, porque não acorda de jeito nenhum. Nem no quarto nem no banheiro. Renato fugiu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Desgraçado! Malandro que é malandro nunca deixa de ser malandro – Conclui Otto. – E tem a coragem de deixar para trás a mulher. Que marido é este?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Marisa vai até a janela e olha o amigo entrando em um táxi, não sem antes Renato acenar para ela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Esperteza tem limites. Ele não sabe com quem se meteu – Tenta ameaçar Marisa, que não mete medo nem em uma formiga.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Vamos embora, mais cedo ou mais tarde ele vai aparecer. E não vejo a hora deste momento chegar. O ajuste final de contas. – Otto fala com segurança. Os outros concordam, como se não tivessem voz própria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="center"&gt;
&lt;/span&gt;***
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Duas horas mais tarde Lídia acorda, ouvindo &lt;em&gt;"Forget about the bad times/ remember all the good times/ gooood times/ hold your head up high (high) and breakaway".&lt;/em&gt; É o celular de Renato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Por que as pessoas têm que comprar essas músicas idiotas? Qual é o vazio que elas precisam preencher com estes barulhinhos irritantes? – Pergunta para si, visivelmente irritada. - Não agüento mais estas músicas estúpidas. Como um homem como ele, na idade dele, tem coragem de comprar uma música dessas. Devia estar bêbado, só pode ser isso. Músicas no celular são o fim da picada. - Finalmente atende.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Alô.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Lídia, presta atenção. É o Renato.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Eu sei que é você. Sei reconhecer sua voz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Pega uma muda de roupa minha e sua que nós vamos viajar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ahn? Está louco. Viajar? Agora? Onde você está?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- É isso mesmo que você ouviu. Vamos viajar, passar uns dias fora deste tumulto que está nossas vidas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Exatamente, está um tumulto. Então é melhor resolvê-los ao invés de fugir. Nossas bodas são daqui a dias. Ana Beatriz está contigo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Está comigo, não se preocupe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Está acontecendo alguma coisa que eu não sei?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Sim, eu queria fazer uma surpresa para você. É melhor não ficar fazendo muitas perguntas, senão não terá graça.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Continuo não entendendo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não é para entender. Faça o que estou te pedindo, confie em mim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, venha já para casa Renato. Agora. Estou começando a ficar preocupada com você.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Tem alguém aí?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, por que? Está esperando alguém?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, perguntei por perguntar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Quinze minutos depois Renato chega em casa com Ana Beatriz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Onde você estava filha? – Quase gritando com a garota.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Na casa do meu namorado, o Júnior.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- E não dava para avisar. Não dava? Nós ficamos preocupados. Você é nossa filha e tem que dar satisfação a nós até que seja responsável por si só. Por enquanto, nós somos responsáveis por você.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Mãe, eu tenho 19 anos. Não dá pra ver? Eu sei cuidar da minha vida. – termina de falar e vai se trancar no quarto, sem dar tempo da mãe responder.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Até parece que você não sabe como os jovens são. Você já teve um dia a idade dela. Dá pra compreender. Está tudo bem com ela, não está"? Então vamos deixar quieto. – Fala Renato, calmamente, dono absoluto da situação, o senhor da verdade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Que história é essa de viagem? Quero que você explique detalhe por detalhe, não faz sentido algum sair em viagem agora. E as nossas bodas?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Será que você só pensa nessas malditas bodas? – Esbraveja Renato. – Desculpa, amorzinho, estou com os nervos a flor da pele com toda esta situação, não sei mais o que pensar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- E precisa descontar em mim, sua mulher. Eu estou sendo firme o tempo todo. Ou você está assim porque está com o rabo preso?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- O que é isso. Minha mulher desconfiando de mim? Como você é capaz disso, Lídia? Não confia mais em mim? Se for assim...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Só estou questionando, também não precisa ser melodramático.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fica tenso o clima entre os dois. Olham profundamente nos olhos um do outro sem emitir qualquer som, como se tentassem adivinhar o que o outro está pensando. Renato quebra o gelo, e desta vez acerta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Eu queria te fazer uma surpresa. Só isso. Hoje à noite vamos ao teatro, depois vamos jantar fora e dormir em um hotel. Para isso a muda de roupa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Agora eu que te peço desculpas. Como pude desconfiar do meu maridinho querido. Gutiguti. Lindindo da mamãe. – Renato não gosta que Lídia aperte suas bochechas, entretanto não fala nada para não criar mais rusgas. Casamento é assim, ceder um pouco aqui, um pouco lá, senão 17 anos não chegam nunca. - Legal. Que peça vamos assistir?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- É a estréia de &lt;em&gt;Escoras da Discórdia&lt;/em&gt;, com Marília Pêra.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Adoro a Marília. Deve ser ótima. Então vou me aprontar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Se MM não tivesse morrido, ele estaria nesta peça. Veja que pretensão, fazer duas peças ao mesmo tempo! Agora arranjaram um ator substituto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Que pena. Queria tanto ver MM em cena...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Dizem que ele interpretaria Pedro. Papel polêmico. Bárbara Heliodora adorou a peça. Você não deve ter lido a crítica dela em O Globo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, nem toquei no jornal de hoje. Se Bárbara gostou é porque realmente deve ser boa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Dizem que é maravilhosa. Na sessão para convidados vips só tinha gente famosa, você tinha que ver.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- É por isso que se chama pré-estréia para vips. – Lídia também tem humor rabelaiseano - Você estava lá pra dizer isso?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, está na coluna do Joaquim Ferreira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- E como você conseguiu ingressos, deve estar lotado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Realmente está. Como dizem os jovens, está bombando. Para este e o próximo mês restam poucas cadeiras. Consegui apenas na penúltima fila.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Tudo bem, pela Marília vale a pena ficar na penúltima fila.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
&lt;em&gt;Forget about the bad times/ remember all the good times/ gooood times/ hold your head up high (high) and breakaway.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Este toque precisa ser mudado, urgentemente. Não agüento mais ouvir esta música estúpida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Tá, tá, deixe-me atender e depois eu mudo. Também não agüento mais. – Falando para agradar a mulher. Porque eu tenho que ficar calado e ela diz estas coisas na minha cara. Bem coisa de mulher mesmo. Renato fica boquiaberto com o que ouve. Lídia percebe a perplexidade em seu rosto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Quem era? – Pergunta agitada. Renato não fala nada, fica inerte. – Fala logo, não me deixa mais nervosa do que eu já estou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não sei mais onde esta história irá terminar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Que história, homem de Deus? Você não está a falar coisa com coisa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Os filhos do Lúcio foram seqüestrados na casa da avó, e os seqüestradores deixaram uma caixa vermelha com uma fita de cetim dourado no correio da casa de Dona Mafalda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- O que isso quer dizer?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Como eu posso saber? O mistério aumenta e cada vez mais eu sinto que nunca alcançaremos a verdade.
&lt;/span&gt;
&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lídia e Renato vão ao teatro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Se comporte minha filha. Tenha juízo. – O que todo pai fala antes de sair de casa e deixar o filho sozinho. Ana Beatriz finge que ouve a mesma ladainha de sempre e coloca no seu walkman &lt;em&gt;I fell good, pararararara&lt;/em&gt;.... Hoje esta casa vai bombar. Pega o telefone cor-de-rosa e telefona.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ju, estou sozinha em casa, não quer vir aqui ser feliz?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ser feliz?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- É, ou será que você com a idade e experiência que tem não entendeu?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Claro que entendi. Já tô saindo. – Pega a primeira calça jeans que vê pela frente, veste, coloca uma camiseta branca e sai correndo. – Não volto hoje, velho. Amanhã a gente se vê.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Até amanhã filho – Já acostumado às noitadas do filho irresponsável.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Toca a campainha. Ana Beatriz está vestida em um provocante vestidinho vermelho, agarradinho ao corpo. Sensual e delirante como só uma garota aos dezenove anos pode estar. É, caro leitor, não temos apenas uma personagem corrimão nesta história. Acabamos de descobrir mais uma. Onde o mundo irá parar?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Como você está libidinosa hoje, minha princesa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- É a primeira vez que eu faço, então vá com calma. – Júnior queria rir como se tivesse ouvido a piada do século, mas se conteve, afinal, o que viria mais pra frente seria recompensador.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não se preocupe, serei bem cuidadoso. Vamos para o quarto dos seus pais?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, lá não.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- É sagrado, por acaso?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não sei, não estou muito segura desta idéia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Eu garanto a você que o prazer será muito mais intenso lá. E eles não vão descobrir nunca. Nós trocamos os lençóis depois.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Eles vão reparar que o lençol foi trocado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Imagina, eles não devem se lembrar qual está na cama agora. – Tentando convencer a garota.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Está bem, se você insiste. Você trouxe camisinha?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, você não tem?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Não, isso é coisa para o homem trazer?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Seu pai não tem?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Como eu vou saber?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Todo pai tem. Vamos procurar?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Um minuto depois Júnior grita.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Aqui está, não disse? É batata! Quantas eu pego?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Traz a caixa toda – Recita bem safada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ele vai desconfiar. – Tentando bancar o bom moço.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Depois a gente compra mais. É fácil. – Falando com uma propriedade que tornava a virgindade mais dubitável do que já estava. Repito, caros amigos, onde este mundo vai parar?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Xiii, fala Júnior. – Levando a mão à boca – Não atrapalhe este momento sublime para a garota.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tudo bem, se é assim que eles querem me calarei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Com menos força, Júnior, está me machucando.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Que nada. É psicológico. Trata de se acalmar. Relaxa e aproveita.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Ai, tá doendo. Pára. Pedi pra parar – tentando se desvencilhar dele. – Pára – Grita, afinal. Fica um clima tenso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Desculpa, eu não sabia que estava te machucando.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Como não sabia? Eu estou dizendo pra você parar e nada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Pensei que fosse frescura de mulher.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Pois não é.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Vamos continuar, prometo que vou ser mais delicado. – Tentando convencer Bia a retornar ao ato. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Assim espero. - Vocês viram, leitores, não foi nada difícil convencer a garota. Que corrimão!! Convenhamos. Mais fácil que abrir as pernas de uma tábua de passar!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Depois de horas de luxúria bem aproveitados, os enamorados acabam pegando no sono, porque ninguém é de ferro, e dormem ali mesmo, na cama dos pais de Ana Beatriz.
&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;
***
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A peça termina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Adorei Renato. Simplesmente demais. Não via uma peça assim há tempos. Muito bem escrita. Esplêndida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Também não é pra tanto. Quatro estrelas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Cinco, sem dúvida nenhuma.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Tá bom. Não vamos discutir. Gosto não se discute...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Se lamenta, como diria a sua mãe. Os dois riem como se fossem recém apaixonados.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Vamos jantar e depois para o hotel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- Depois do jantar vamos para casa. Esqueci de pegar uma roupa sensual. Deixei em cima da cama. É um vestidinho vermelho, aquele que você adora, que fica bem apertadinho.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
- OK. Então vamos primeiro passar em casa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Qual a surpresa quando Lídia chega em casa e vê a filha com Júnior deitados, nus, na sua cama e de Renato.&lt;/span&gt;
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;

&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chega!!! A história não é só minha. Vamos deixar a criatividade dos outros participantes do blog apresentar sua genialidade.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-110021892236749281?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/110021892236749281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=110021892236749281' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110021892236749281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/110021892236749281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/11/captulo-7.html' title='Capítulo 7'/><author><name>Raphael Fontenelle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17208232786502509550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-109932250464233217</id><published>2004-11-01T12:02:00.001-03:00</published><updated>2004-11-04T02:03:13.890-02:00</updated><title type='text'>Capítulo 6</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Oi pessoal! Primeiro, desculpe a demora. Tô sem internet e estou postando de um cyber agora. Mas o capítulo estava escrito desde sábado. Levei quatro horas para escrevê-lo!!! Sem contar o tempo que passei endireitando algumas coisas. Depois de mudar de posição duas vezes (eu era pra ser o terceiro, mudei para o nono e agora sou o sexto!), finalmente chegou a minha vez. Ou seja, minha posição quase uma surpresa tanto pra vocês quanto pra mim! O capítulo ficou meio bizarro, fruto de uma imaginação muito fértil como a minha...hehehehehe! Espero que todos gostem. Não sei se é bem o que esperavam para agora, mas acho que este capítulo (que é um flashback de 20 anos!) será fundamental para o desfecho da história. A pedidos, muitas cenas de ação!!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Matheus C.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 6&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Cláudia não era o tipo de nora que toda mãe gostaria de ter: a fama de corrimão – aquela que todo mundo passa a mão – era conhecida por todos. Menina fácil e de hábitos nada convencionais, era o tipo ideal de garota para um rapaz de mais de 20 anos perder a virgindade, se isso ainda não tivesse acontecido. Afinal, levá-la para cama não era uma missão para Ethan Hunt, pois ser a primeira vez de alguém era um de seus bizarros hobbies. Renato, tímido e inteligente estudante de publicidade, 22 anos, encaixava-se no perfil. O jeito extrovertido e intelectual da moça encantou-o desde o primeiro período. Mas ele nunca havia criado coragem suficiente para chamá-la para sair.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Até que surgiu a grande oportunidade: a última choppada de sua turma. Todos haviam confirmado presença, pois esta seria A choppada. Além do mais, uma choppada de Comunicação Social é o ambiente ideal para deixar suas fantasias virem à tona. Renato sabia que era agora ou nunca. O que ele não sabia é que, por outro lado, Cláudia tomou conhecimento de sua situação no mínimo constrangedora, através de um pseudo-amigo, Otacílio Motta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Otto, como era chamado Otacílio, Tomás, ou Totti para os mais íntimos, Lúcio e Renato eram a panela mais consistente da Comunicação Social. Também participavam a Luana, namorada de Lúcio na época, Henrique, Marcos e Rafaela. Entretanto, os quatro eram os mais grudados. Bastava saber onde estava um para saber onde estavam os outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Para a noite de 23 de dezembro de 1981 estava marcada a choppada, que seria temática: obviamente o Natal seria o tema. Traje obrigatório: gorrinho de Papai Noel. Um paradoxo de inocência numa noite de devassidão. O próprio Renato ficou de levar a câmera fotográfica para registrar os prováveis últimos momentos da galera toda reunida. Depois dali, certo mesmo, só a festa de formatura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Claúdia estava reunida com o pessoal de cinema, sempre acusados de se excluírem do resto da Comunicação. Esta noite, porém, sua atenção estava voltada para Renato. Começou a ver nele uma beleza nunca por ninguém reparada. Não que ele fosse feio, mas também não era bonito. Pior: passava despercebido. Da parte dele, havia uma tensão interna que transparecia pelo excessivo suor. Todos suavam bastante naquele lugar quente, fechado e sujo, mas ele sabia que seu caso era anormal. O impasse era o mesmo que o acompanhava ao longo destes quatro anos: “Será que eu devo falar com ela? Será que ela vai me dar um fora? O que eu falo para ela? Vou parecer um idiota pretensioso?”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Logo seus problemas foram resolvidos, já que Cláudia, muito segura de si, falou aos seus amigos que ia ao banheiro, desviou o caminho e foi falar com Renato. Otto, que estava ao seu lado, fechou a roda onde estavam, deixando Renato de fora. Cláudia foi bem direta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Oi, será que a gente podia conversar num cantinho com mais privacidade? – perguntou com uma voz sensual, sussurrante, que só ela sabia fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ccclaro. Vamos por aqui. – respondeu Renato, tentando disfarçar o nervosismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Renato, tira aqui uma foto da galera para a posteridade! – insistiu Henrique.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Tá bom. Ei, será que você pode tirar uma foto da gente? – pediu a um calouro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Todos posaram. Depois, Renato e Cláudia foram para o tal cantinho. Cláudia não queria conversar. Foi mais uma vez direto ao ponto. Tascou um beijo de tirar o fôlego de Renato. Claro que o fator álcool contou um pouco para a rapidez do desenrolar do caso. Renato não entendeu nada. Como pode um momento que ele esperou quatro anos para acontecer ser tão rápido, fácil e...maravilhoso! Realmente Claúdia sabia fazer aquilo. Talvez seu vasto currículo a tenha aperfeiçoado. Renato relaxou, mudou da água para o vinho. Vendo que a moça lhe deu abertura, deixou todos seus impulsos sexuais aflorarem e agarrou a moça de uma maneira que a deixou com os hormônios à flor da pele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="center"&gt;
&lt;/span&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato acordou. Estava numa cama macia, embaixo de um espelho redondo, no formato da cama. Lençóis vermelhos cobriam-no. Levantou-se. Descobriu que estava nu. “O que estou fazendo aqui?”, pensou. Encontrou em uma mesinha três garrafas de champanhe. Ouviu um barulho de chuveiro, o que o fez lembrar que precisava de um banho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um estalo. Lembrou de tudo de repente: a choppada, o beijo de Claúdia, sua reação, o táxi, o motel. Era lá onde estava. Seu sonho havia se realizado. E ao que parecia, Cláudia ainda estava no local, tomando banho, o que lhe deu esperanças sobre um futuro relacionamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cláudia saiu do banho, com uma toalha enrolada no cabelo e em seu corpo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Bom dia! Dormiu bem essa noite? – perguntou ela, já sabendo qual seria a resposta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Melhor não poderia ser. E a choppada? Como terminou? E o pessoal?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Não sei. A gente não ficou lá pra saber...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Claro...idiota – disse baixinho, para si mesmo – E como foi? Você gostou? Foi tudo bem?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Foi ótimo querido, não se preocupe. Escuta...agora vou ter que ir porque tenho que pegar o ônibus para casa em duas horas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Mas já? Fica mais...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Não posso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Então...a gente ainda se fala? – perguntou Renato, temendo que e resposta fosse negativa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Claro, meu bem. Não perco você por nada. – ia respondendo enquanto se vestia apressadamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Que bom. Fico feliz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Já vou. Um beijo. – e deu outro beijo nele – Ah...Feliz Natal. Hoje é dia 24, esqueceu-se?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- É mesmo. Caramba!! Também tenho que ir embora. Prometi a minha mãe que a ajudaria nos preparativos para a ceia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Então é melhor correr. Tchau, eu te ligo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Toma meu número.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Você acha que eu não tenho?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E bateu a porta do quarto. Renato ainda ficou pensando naquela noite. Foi o melhor presente de Natal que recebera nos últimos anos. Ligou a televisão. Passava um clipe de um especial de Natal. “All I want for Chriiistmaaas... is youuuuu!”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi tomar banho. Encontrou escrito com batom no espelho a frase: “Você é o máximo, Renato. Acho que a gente ainda vai se ver muitas vezes. Me liga, se você gostou tanto quanto eu. (11) 5555-8766”. Ele tinha gostado muito mais. Podia garantir.&lt;/span&gt;&lt;em&gt;
&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando retornou da casa dos pais, dois meses depois, Claúdia iniciou o namoro com Renato. Dois anos depois, Renato estava sozinho de novo. Cláudia não era uma pessoa muito estável. O relacionamento iniciado por eles estava mesmo fadado ao fracasso. Até que durou bastante para os padrões de Cláudia. A insistência de Renato foi fundamental para isso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um pedido estranho acelerou o processo que pôs um ponto final na história dos dois. E que mudaria tudo na vida de muita gente. Enquanto arrumava suas fotos, Claúdia revelou a Renato sua mais profunda e não convencional fantasia. Revendo as fotos da faculdade, lembrou-se de Otto e Totti, amigos de Renato. Para ela, eles eram muito bonitos, mesmo que a maioria não os achassem grande coisa. Lembrou também de uma antiga vontade...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Posso te pedir uma coisa? – usava a mesma técnica de sedução da choppada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pode. O quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pensa bem. Pode mesmo? É muito sério.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Assim você me assusta. Primeiro diz o que é, então.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não posso. Primeiro promete que vai deixar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Deixar o quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Cláudia começava a ficar impaciente. Sempre teve o controle da situação. Renato sempre comia na mão dela. Esse questionamento todo não a agradava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Diz que sim, por favor. É uma fantasia minha.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tá bom. Eu faço tudo por você, meu docinho de coco. – Cláudia odiava esses apelidos que Renato usava para referir-se à ela. Ele era cafona mesmo. Mas tolerou, pois a situação retomava a seu controle.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sabe o Otto e o Totti, que estudaram com a gente?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sei, claro! Eles eram meus melhores amigos, né? O que têm eles?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então, eu queria muito transar com eles.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O QUÊÊÊÊÊ??? CÊ TÁ LOUCA?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E eu queria que você assistisse a tudo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- PIOROU!!! DE ONDE VOCÊ TIROU ESSA IDÉIA?? DE JEITO NENHUM !!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Que drama, hein? É só uma vez. Não vai significar nada. É só sexo. Se você não quiser ver, eu arranjo outra pessoa. – falava como se tudo isso fosse algo cotidiano.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olha só, vou considerar que isso foi um surto e que você não me pediu isso, tá bom?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- TÁ BOM NADA!!! Isso é sério. Não vou deixar de fazer o que eu quero porque você não quer que eu faça. Você não é meu dono! Gosto muito de você e por isso resolvi que quero fazer isso com o seu consentimento, inclusive que participasse. Mas já que é assim...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O que você quer dizer com isso, hein? Não entendo... eu fiz alguma coisa de errado? Você não gostou de ontem à noite? Não foi tão bom quanto na noite da choppada? – Renato perguntava impulsivamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Quer saber? Chega tá. Vou embora.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Embora? Pra onde?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sei lá, pra Índia!!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Que ela quisesse realizar suas fantasias, tudo bem. Mas era difícil para Renato entender algo que não envolvesse APENAS ele e ela. Claúdia sumiu do mapa, sem deixar rastros.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas não desistiu de seu desejo. Apesar das dificuldades, procurou por Totti e Otto durante um tempo. Por incrível que pareça, quando ela fez a proposta, os dois toparam.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A noite e o local combinados foram regados a entorpecentes e álcool, levados pela própria Cláudia. No meio da noite, Claúdia passou muito mal e desmaiou. Os rapazes chamaram uma ambulância. Com medo de toda aquela situação, deixaram com o médico responsável os telefones de Renato, dizendo que ele deveria ser avisado. E foram embora.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Renato, que vinha procurando por Cláudia durante os sete meses que passaram desde que Claúdia partiu, apareceu no hospital desesperado. Tomou conhecimento da situação pelo médico da noite: Cláudia teve uma overdose mas:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- ...o bebê, milagrosamente, está bem. Ainda corre riscos, mas acho que vai ficar bem. Já a senhorita...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Como é que é doutor? Que bebê? Como está Claúdia? – perguntava afobadamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O bebê que a senhorita estava esperando. Ele, ou melhor, ela está na incubadora. Tem sete meses. É uma menina. A mãe... está morta. 00:17 de hoje.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A notícia teve o impacto de um avião lançado no WTC, o que de fato aconteceria dali a menos de vinte anos. Desnorteado, perguntou:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Quem a trouxe aqui? – tentando pensar racionalmente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Dois rapazes, um alto, com uma tatuagem grande no braço e outro mais baixo, de cabelo comprido castanho escuro. Mas sumiram depois. Mandaram chamá-lo aqui.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Otto e Totti. Ela havia feito aquilo. E estava grávida!!! Como teve coragem? E eles? Com uma mulher grávida? Não conseguia acreditar. Era inescrupuloso demais para Renato.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O senhor sabe quem é o pai? É preciso avisá-lo. – perguntou o médico plantonista.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não tinha pensado nisso antes. Com tanta coisa acontecendo, não havia notado que o pai podia ser... ele mesmo. O bebê tinha o mesmo tempo da última transa dos dois. A primeira pessoa que Renato pensou em chamar foi o único amigo com quem mantivera contato depois da formatura: Lúcio. Chamou-o e contou tudo. Renato não sabia que Lúcio já estava a par da situação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-109932250464233217?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/109932250464233217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=109932250464233217' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109932250464233217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109932250464233217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/11/captulo-6.html' title='Capítulo 6'/><author><name>Matheus C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00971063933102680805</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-109867878466526737</id><published>2004-10-25T00:58:00.000-03:00</published><updated>2004-10-25T02:58:44.816-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 5</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Bem, aqui estou eu de novo postando mais um capítulo da saga. Acho que me empolguei um pouco, mas tenham paciência, vale a pena... (eu acho... :)). Tentei não fechar muito a história, mas também sem deixar as coisas muito soltas. Novos fatos e algumas revelações pro nosso quebra-cabeça.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Raphael Fontenelle&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 5&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A luz do sol começou a entrar com força total por uma janela do décimo andar do edifício comercial onde se localizava a agência de publicidade RLBMx. Percorrendo seu trajeto por dentro da sala com o passar das horas, os raios de sol terminaram por finalmente encontrar os olhos de Renato Sampaio, que estava deitado de uma maneira um tanto quanto desajeitada por sobre o sofá de dois lugares de seu escritório.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Já eram quase dez horas de sábado quando Renato, ainda com a roupa do dia anterior, abriu os olhos encontrando um clarão que lhe cegava a vista. Rapidamente se sentou no sofá e foi tomado por uma dor de cabeça lancinante. Por um momento a ressaca foi tudo com que Renato se deu ao luxo de se preocupar. Procurou um analgésico (item indispensável em seu escritório) e se sentou novamente, pensativo. Progressivamente, a dor de cabeça e o mal estar causados pela noite anterior foram dando espaço a uma melancolia profunda. Obviamente, Renato ainda se sentia mal com a morte de Lúcio e o fato de ter sucumbido à bebida não lhe deixava mais feliz. As divagações da noite anterior até deram ao publicitário mais força para superar o momento, mas, sentado ali naquele sofá, olhando para sua mesa de ping-pong e tudo o que ela representava como símbolo do que sua vida se tornara, Renato não conseguiu fazer outra coisa senão chorar. Um choro reprimido por anos e que agora encontrava uma forma de se desvencilhar de qualquer orgulho. O que significava aquilo tudo?...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;“Forget about the bad times/ remember all the good times/ gooood times/ hold your head up high (high) and breakaway…”.&lt;/em&gt; Renato escutou a musiquinha de seu celular que começara a tocar em algum lugar da sala. Ele se levantou e passou a procurar pelo aparelho no meio do verdadeiro campo de guerra em que se encontrava seu escritório. Quando o achou, porém, a pessoa já tinha desistido e, olhando para o identificador de chamadas, viu que era Lídia quem telefonara. “Ela deve estar preocupada comigo”, pensou Renato, “afinal a desculpa do IML foi bem esfarrapada... é melhor eu voltar logo para casa e, à tarde, eu começo minha apuração”. Em poucos minutos ele já estava em seu carro, indo para casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Você tem certeza que está bem, Marisa? – perguntou Lídia, segurando a mão da amiga.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Agora estou um pouco melhor. Muito obrigado por ter me deixado passar a noite aqui com você – Marisa tinha suas mãos seguradas pelas de Lídia – Foi melhor do que ficar sozinha naquela casa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Você pode ficar por aqui o quanto quiser, querida. A casa sempre foi e sempre será aberta a você.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Marisa tentava expressar agradecimento pelo seu olhar e Lídia lhe deu um abraço apertado. Elas se soltaram depois de um tempo e Marisa perguntou:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Onde estão Renato e Bia?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Ainda não sei. Estou ficando preocupada já. A Bia não dá notícias desde ontem à tarde. Falou que ia sair com um rapaz. Parece que é algum namoradinho novo. Mas eu tento ligar pra ela e nada. E o Renato disse que iria passar a noite no IML, mas, também, nada de notícias até agora.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Marisa estremeceu ao escutar a palavra IML e Lídia tratou de abraçá-la novamente. A mulher de Lúcio começou a chorar no ombro da amiga e Lídia, que não conseguia pensar em nada mais inteligente para dizer naquela hora, se limitou a acariciar os cabelos da recém-viúva.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O momento foi interrompido pela chegada de Renato que pareceu surpreso quando avistou Lídia e Marisa sentadas no sofá da sala.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Marisa. – disse Renato, indo em sua direção.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Oi, Renato. – Marisa se levantou e abraçou Renato, que também não conseguia pensar em muita coisa e se limitou a dizer:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu... eu sinto muito... não sei nem o que dizer... o Lúcio era quase um irmão para mim...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Marisa não disse nada e Lídia os convidou para tomarem o café da manhã na cozinha.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Onde você esteve esse tempo todo? – perguntou Lídia a Renato. Marisa tinha ido ao banheiro para se recompor.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu estava no escritório. Não consegui voltar para casa. Precisava ficar um pouco sozinho. Me desculpe se ontem eu falei algo que tenha te agredido.... A gente ainda pode comemorar as bodas se você quiser. Mas vamos apenas esperar isso tudo passar para remarcar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Lídia deu um sorrisinho cúmplice. Falou que estava tudo bem e deu um beijo no marido. Ambos se dirigiram à cozinha, onde a mesa já estava posta para o desjejum.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O café da manhã transcorreu silencioso e Lídia evitou conversar com Renato sobre Bia e outros assuntos que pudessem constranger a amiga.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Onde estão o Huguinho e a Amanda? – Renato tentou quebrar o gelo, ao lembrar dos filhos de Lúcio. Marisa pareceu meio assustada com a pergunta repentina.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- As crianças estão na casa dos avós em Teresópolis desde quinta feira. Mas Dona Mafalda vai trazê-los hoje. – a última frase foi dita com dificuldade pela mulher que parecia prestes a chorar a qualquer minuto. Lídia olhou para Renato com um olhar reprovador. O olhar de Lídia acabou gerando mais alguns minutos de silêncio, já que o publicitário ainda tinha mais coisas a dizer. Mas, após dez minutos em que os únicos barulhos que podiam ser escutados eram os das xícaras se encontrando com os pires, Renato tentou quebrar o gelo mais uma vez, ignorando deliberadamente o fato de que ele não era nada bom nisso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Marisa, não sei se agora é o melhor momento para isso, mas eu queria lhe pedir desculpas pelo que aconteceu aqui em casa na quinta. Realmente estávamos todos estressados com aquele idiota do Jorge Correia e...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tudo bem, você não precisa se desculpar. Já passou. Além do mais, Lúcio estava estressado com outros problemas e acabou descontando em cima de você. – disse a mulher, interrompendo Renato.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Aconteceu algo? Porque ele não me disse nada...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Marisa hesitou por um momento. Na verdade, hesitou mais algumas vezes, sempre parecendo que ia falar algo de importante mas voltando atrás por algum motivo, o que motivou mais olhares reprovadores de Lídia para Renato.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Olha, Marisa, tudo bem, você não precisa falar. É algo pessoal, eu....&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Na quarta feira o Lúcio recebeu uma carta esquisita – disse Marisa interrompendo novamente – Era uma carta sem remetente, endereçada a ele. Quando eu a peguei, pensei que se tratasse de alguma promoção de natal de alguma loja, ou algo assim. O envelope era bem chamativo, sabe? Todo vermelho e com letras douradas...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Envelope vermelho? – associações eram feitas na cabeça de Renato. Vermelho. Dourado. Envelope. – Você viu o que tinha dentro?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não, eu apenas entreguei pro Lú quando ele chegou da agência. Depois disso ele ficou estranho, não quis falar mais nada e passou a noite trancado no quarto. – a voz de Marisa começava a embargar novamente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tudo bem, Ma. É melhor a gente deixar para falar sobre isso depois, né Renato?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato se calou. Tudo estava confuso em sua cabeça e o que realmente queria era fazer perguntas e mais perguntas para Marisa. Mas o bom senso tomou o lugar da emoção e ele deixou de lado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Alguns minutos depois eles terminaram o café e Marisa disse que precisava ir para casa a fim de arrumar algumas coisas para a cerimônia de cremação do marido que aconteceria mais tarde e para receber as crianças e os seus sogros. Lídia se ofereceu para ajudar, o que foi bem aceito pela amiga. Logo, as duas foram embora, deixando Renato sozinho. Não quis perder tempo e tratou de tomar uma ducha e se arrumou para começar sua apuração. Questões ainda martelavam sua cabeça.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Lúcio tinha recebido um envelope vermelho. Será que teria algo a ver com a morte dele? Será que o envelope teria conexão com a caixa que ele recebeu e que depois sumiu? Mas se fosse algo importante mesmo talvez Lúcio teria me contado... Vermelho. Natal... é, talvez fosse mesmo uma propaganda natalina de alguma loja, afinal estamos chegando perto do natal. Merda. Natal... que época mais infeliz. Coincidências demais... mas talvez apenas coincidências mórbidas. O que significava aquilo tudo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O atropelamento de Jesus em frente ao Teatro Encena não rendeu mais do que uma morte de um simples segurança poderia ter rendido. A polícia chegou seguida do rabecão, que logo retirou o corpo de Jesus do meio da rua, aliviando o tráfego que tinha virado um inferno, em pleno sábado de manhã com sol, por conta dos curiosos. Algumas pessoas foram convidadas a testemunhar, mas ninguém falava alguma coisa diferente de: &lt;em&gt;“Eu conhecia ele sim. Ele era segurança do teatro ali. Família? Não que eu saiba. Ele ia atravessar o sinal quando um carro avançou o sinal e o atropelou. Não, eu não anotei a placa. Moço, eu vou precisar depor na delegacia? Ah, que bom”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Em poucas horas o tumulto se dissipou e, ao meio dia, Jesus já se encontrava em alguma geladeira do IML e o mundo ao redor do teatro parecia evoluir muito bem sem ele, obrigado. Quando Renato chegou ao local, tudo parecia fluir normalmente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Não tinha a mínima idéia do que iria fazer exatamente e ficou um tempo parado perto de seu carro, que estava estacionado do outro lado da rua, em frente ao teatro. Ficou um tempo observando, quando avistou um homem de uns vinte e poucos anos que parecia ser o porteiro andando de um lado para o outro na portaria do teatro. Bem, pensou, é a única pessoa com quem poderei conversar, mas como farei isso? Renato pensou em inúmeras possibilidades e acabou escolhendo a mais fácil: iria tentar subornar o sujeito.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Olá, boa tarde. Meu nome é Rogério Santos, eu sou jornalista. Trabalho pra revista Chiques e Famosos. Será que eu poderia dar uma palavrinha com o senhor? Senhor...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Edmilson. – Renato cumprimentou o porteiro – Olha, se o senhor tá aqui por causa do suicídio do rapaz da Malhação eu vou ter que dizer pro senhor que eu não posso falar nada...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Olha, seu Edmilson, pode ficar tranqüilo, eu só quero saber algumas coisinhas... eu nem vou falar seu nome na matéria.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Desculpa, mas disseram pra gente que nós não podia falar nada com ninguém sobre isso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Quanto você ganha, seu Edmilson? – perguntou Renato.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Duzentos reais, por quê? – Edmilson não era bobo e já pressentia o que viria a seguir, mas não resistiu a fazer um charme de homem honesto.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Bem, eu tô sentindo que estou conversando com a pessoa certa, então. – Renato abriu a carteira e tentou deixar bem visível para o porteiro a existência de uma nota de cem reais lá dentro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Edmilson olhou para os lados e chamou Renato para dentro da portaria. Renato não tardou a começar seu interrogatório.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Há quanto tempo você trabalha aqui?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Há uns três meses mais ou menos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Você teve muito contato com o Marcos Motta?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não, na verdade quem tinha mais contato com ele era o Jesus. Eu trabalho mais na parte da manhã, quando não tem muito artista por aqui ainda.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Esse Jesus não trabalha mais aqui?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Bem, pode se dizer que não mais.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- E você sabe onde eu posso encontrá-lo?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Jesus morreu hoje de manhã.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Como isso aconteceu?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Ele foi atropelado aqui em frente do teatro hoje de manhã. Muito triste, sabe?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Ahn – Renato tentava assimilar a informação. A morte de um segurança podia não ser relevante. Mas algo o incomodava. – Esse Jesus tinha muito contato com o Marcos Motta?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tinha sim. O Jesus era muito querido por aqui, sabe? Todos os artistas gostavam dele e tudo mais. Uma pena ele ter morrido assim. Até, no dia em que o menino aí morreu, ele ficou bem triste não queria falar com ninguém, foi direto pra casa, coitado. Ele se apegava muito às pessoas o Jesus. Uma pena, ele não tinha família. A gente aqui no teatro e nos botecos aqui em volta tamos fazendo uma vaquinha pra dar um enterro decente pro Jesus. É muito triste, sabe seu Rogério, ser enterrado como indigente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato fingiu que não entendeu o apelo discreto do porteiro e continuou:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Quer dizer que no dia em que o Marcos Motta morreu ele tava trabalhando no teatro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Foi isso que eu acabei de dizer.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- E você falou com ele antes dele ser atropelado?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Fui a última pessoa com quem ele conversou. Ele veio aqui agora a pouco dizendo que tinha perdido a carteira. Entrou no guarda-volumes e saiu logo depois. Me deu tchau e saiu. Foi atravessar a rua e pimba! Foi atropelado. – Edmilson estava começando a ficar emotivo. Renato percebeu que era hora de mudar de assunto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Muito triste mesmo. Mas e quanto ao Marcos? Você não tem nada pra me falar sobre a morte dele?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não. Tudo o que eu sei foi o que os jornais disseram. O pai dele é que tem vindo aí quase todo dia. Ele acabou de entrar aliás. Também me encheu de perguntas. Tá inconformado que a polícia desistiu de investigar o caso. Disseram que o garoto morreu mesmo de overdose.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O pai dele está aqui? O Otacílio Motta? – Renato ficou surpreso com o fato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- É, esse mesmo. O jornalista. Tá lá no guarda-volumes agora.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato queria acabar logo com a conversa e agradeceu ao porteiro pelas informações, dando-lhe a nota de cem reais. Mesmo com pena de gastar tanto por tão poucas informações, ele saiu e tentou procurar por Otacílio. Foi em direção ao guarda-volumes onde Edmilson disse que o jornalista estava. Virou a entrada e avistou as cabines no fundo do saguão. Podia ver uma pessoa mexendo em uma delas. Foi chegando mais perto e reconheceu Otto retirando algo do guarda-volume.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;“Forget about the bad tiiimes/ Remember all the....”.&lt;/em&gt; O telefone de Renato tocou alto e, instintivamente, ele se escondeu atrás de uma coluna. Era Lídia. Otto olhou desconfiado, mas voltou a fazer o que estava fazendo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Alô, Lídia, eu não posso falar agora – Renato sussurrava enquanto observava Otto saindo do guarda-volumes.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Amor, é importante. Eu não tô conseguindo achar a Bia. Eu não sei onde ela está. – disse Lídia do outro lado da linha.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Como não sabe?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Ela não telefona desde ontem. E eu não tô conseguindo falar com ela. Já liguei para várias amigas dela e ninguém sabe onde a Bia se meteu... – Lídia estava um pouco alterada. Sua voz tremia. – Alô, Renato? Diz alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato não respondia. Atrás da coluna ele pôde ver Otto se dirigindo para a saída do teatro. Embaixo do braço, ele carregava uma caixa embrulhada com papel vermelho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que significava isso tudo? Renato mais uma vez ficou desnorteado. Bia e Otto. Mais uma caixa. Que caixa é essa, meu deus? E o que Otto está fazendo com ela?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Alô, Renato? – Lídia insistia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Oi, Lídia, vamos esperar, ela vai aparecer, não se preocupe. Ele já fez isso outras vezes, lembra? Tenho que desligar agora, um beijo. – disse Renato, desligando.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato não conseguia pensar e tentava seguir Otto de longe. Otto entrou em seu carro e foi embora. Renato nem fez menção de segui-lo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O publicitário entrou em seu carro e foi para casa. No caminho não conseguia parar de divagar. Afinal, mais uma caixa entrava em cena. Será que era a mesma que ele tinha recebido e que sumira? A mesma que Lúcio provavelmente abrira? Não, isso seria muito difícil. Mas, cada vez mais os fatos estavam apontando para algo além de meras coincidências...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O dia passou e Renato, após tentar ligar diversas vezes para o celular de Bia e não conseguir falar com a garota, foi à cerimônia de cremação de Lúcio, onde se encontrou com Lídia. A cerimônia correu de forma simples e emotiva. Todos da agência estavam por lá para prestar homenagens a Lúcio. Mas Renato notou que sua turma antiga, a mesma que comparecera em peso ao velório de Marcos, não aparecera.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;A cerimônia terminou por volta das sete horas da noite e, após se despedirem de Marisa e seus filhos e de conversarem um pouco com Marcelo e Bruno, Renato e Lídia se dirigiram ao carro. Lídia não parava de ligar para o celular de Bia que sempre caia na caixa postal.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Quando estavam no estacionamento, eles foram abordados por um sujeito curioso. Baixinho, gordo e vestindo roupas bem alinhadas, ele se apresentou como Delegado Oswaldo, mostrando seu distintivo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O senhor é o Renato Sampaio, correto? – perguntou Oswaldo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Exatamente, em que posso ajudar?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu sei que não é uma boa hora, mas eu gostaria de fazer algumas perguntas para o senhor. Nada muito complexo, não. Só....&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O senhor tem razão, essa não é uma boa hora. – Renato cortou Oswaldo, já pensando no destino que aquela conversa teria.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tudo bem, o senhor tem toda razão. – Oswaldo tentava ser o mais educado possível. Colocou sua mão por dentro de seu terno e retirou um papel – Aqui está uma intimação para o senhor comparecer segunda pela manhã na delegacia para prestar depoimento sobre o assassinato do senhor Lúcio Amaral. Nada muito complexo. O senhor vai tirar de letra.– Oswaldo dava um sorriso que estava entre o cínico e o sincero. – Achamos algo muito interessante no escritório do senhor Lúcio. Mas ainda estamos investigando para saber se tem algo a ver com a morte dele. Talvez o senhor possa nos ajudar...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Ajudarei com certeza. - disse Renato pegando o papel das mãos do delegado e tentando retribuir o sorriso cínico - Muito obrigado. Passar bem.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O senhor e sua senhora também.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato e Lídia entraram no carro. O sorriso cínico do delegado deixava o publicitário pouco confortável. Parecia que aquele sujeito tinha algo contra ele. “Então, a polícia deixara de lado a hipótese de suicídio”, ele pensou. “Ou será que o delegado só estava querendo me pegar em um ato falho? Será que eles acharam a caixa endereçada a mim?”. A divagação de Renato foi interrompida por Lídia:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Rê, aquele ali não é o seu amigo? O Otacílio Motta? – disse Lídia apontando para fora do carro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- É sim – Renato observava. Otto estava conversando com Marisa. Mais atrás, ele viu um outro homem que lhe pareceu familiar, apesar de não vê-lo há alguns anos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Nossa, é o Totti.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Você não vai parar para conversar com eles? – perguntou Lídia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- É melhor não. – Renato acelerou e saiu do cemitério direto para sua casa. Não sabia se Otto ainda era confiável. O que significa isso tudo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;***&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Pouco mais de uma hora depois de Lídia e Renato terem chegado em casa, o interfone tocou. Renato foi atender e o porteiro anunciou a chegada de Marisa Amaral, ao que Renato autorizou a entrada.&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Lídia tomara calmantes e fora se deitar. Por mais que Bia desse uns sumiços de vez em quando ela nunca conseguira se acostumar. Muito menos. Ela nunca aprovou tal atitude que parecia ser endossada por Renato.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Quando a campainha da casa tocou, Renato estava sozinho. Os empregados já tinham ido embora e Lídia não acordaria nem por um decreto. Ele foi em direção à porta e a abriu esperando encontrar Marisa sozinha. Mas qual não foi sua surpresa quando encontrou em sua porta Marisa acompanhada por Otacílio e Tomás.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Oi. O que vocês estão fazendo aqui? – Renato estava surpreso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não gosta de receber a visita de velhos amigos? – Otto falou em um tom agressivo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não, não é isso. Eu só fiquei surpreso. O porteiro não tinha anunciado vocês, pensei que a Marisa estivesse sozinha. Podem entrar. – Renato abriu a porta e deixou os três entrarem. Marisa estava calada e com uma expressão distante. Otto parecia nervoso e segurava uma sacola. Eles entraram e se acomodaram na sala de estar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- A que devo a honra dessa visita? – Renato perguntou meio sarcasticamente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Nenhum dos três respondeu. Quase ao mesmo tempo, Marisa e Otto jogaram duas coisas em cima da mesinha de centro: uma caixa vermelha e um envelope vermelho.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Está na hora da gente resolver isso de uma vez por todas. – disse Otto.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato se assustou, a temida caixa estava ali novamente diante de seus olhos. De dentro do envelope, uma foto saiu. Renato a pegou nas mãos. Reconheceu a turma: ele, Otto, Totti, Luana, a Rafa, o Marcos, o Henrique e a Cláudia... Cláudia. Abraçada com ele. Todos de gorros natalinos e sorrindo. Renato virou a foto. Pôde ler: 23 de Dezembro de 1981.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O que significa isso? – ele perguntou.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Por que você não nos diz? – Totti perguntou de volta.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Mas eu também não sei! – disse Renato começando a se sentir ameaçado pelas perguntas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Vamos ser mais diretos então – Otto disse, se levantando – Por que você tem mandado essas caixas pra gente?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu o quê?&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-109867878466526737?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/109867878466526737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=109867878466526737' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109867878466526737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109867878466526737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/10/captulo-5.html' title='Capítulo 5'/><author><name>Raphael Fontenelle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17208232786502509550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-109797103772530530</id><published>2004-10-16T20:44:00.000-03:00</published><updated>2004-10-17T22:36:59.896-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 4</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Crianças, aqui está mais um capítulo. Quem diria, hein? Eu, a quarta escritora... Acho que por essa ninguém esperava. Acho que disfarcei bem. Bem, espero que possam se deleitar lendo o aprofundamento da saga. Procurei não introduzir muitos elementos novos. Divirtam-se!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;Ana Caroll&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 4&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O reflexo de toda a tensão sofrida se refletia naquele fim de noite. Renato estava realmente cansado, esgotado emocionalmente. Discutir com Lídia não lhe fazia nada bem. Ainda mais em um momento como aquele. E tudo por causa de uma idiota festa de bodas. Não queria comemorar mais nada. Não tinha motivos para sorrir aos convidados, contar histórias divertidas do tempo em que conheceu a mulher, derreter-se em elogios à filha ou exaltar a instituição familiar. Os últimos dias representavam uma montanha russa em sua mente. Um misto de surpresa e tristeza ao descobrir que Otto havia perdido o filho, uma alegria sublime junto às inoportunas lembranças ao reencontrar os amigos de faculdade, uma dor terrível e um medo que lhe invadiam todos os pensamentos ao ver Lúcio morto, estirado no escritório... Não! Naquela noite não iria para casa. Preferia não encontrar com Lídia, com seus olhos ansiosos, suplicantes de detalhes. Ter que revisitar aquela manhã terrível. Precisava paz e talvez o bar em frente ao escritório da agência pudesse lhe entender melhor. Um copo. Sem necessidade de perguntas ou respostas. Ligaria para a mulher apenas para avisar. Inventaria uma desculpa: pernoitar no IML, algo assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;No bar, pensava na infeliz coincidência que reuniria, novamente, ele e seus amigos de faculdade em um velório em menos de 15 dias. Via Lúcio combinar, alegremente, o churrasco que fariam. Otto estava bem abatido naquele dia. Não deveria ser fácil perder um filho...Renato podia sentir falta de Bia naquele momento. É...Precisava dar mais atenção à filha. Como MM poderia ter morrido? Como um jovem pode se suicidar...Era estranha aquela situação...Duas mortes...Dois suicídios...Dois...Marcos e Lúcio...Otto Motta e Lúcio...Muitas vezes, ao se atingir o filho é que se consegue causar mais dor ao inimigo...Suicídios...Estranhamente coincidentes...Mas não deveria passar de coincidências. A proximidade das tragédias talvez fosse o único vínculo que as pudesse ligar. Entretanto, sentia medo. Acuado. Parecia que a antiga turma de Comunicação Social havia se reunido, depois de tanto tempo, para chorar mortes...Para perder vidas...Pagar! Não, de forma alguma! Não havia nada a ser pago. Não!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Seus devaneios o traíam. A culpa o guiava por um caminho de sinistras conexões de fatos. A dupla dose de whisky deixava suas emoções à flor da pele. Alterou-se na mesa do bar que ocupava. Discutia com o invisível e sustentava que não era culpado. Ninguém o era! Precisou ser contido pelos garçons. Havia passado um pouco do limite. Era melhor voltar para o escritório. Relutou ainda consigo mesmo. Não queria ter que dormir ao lado da sala em que o corpo de Lúcio foi achado...Estirado...Sem sentidos...Suicídio! Aquela era boa! Por que seu melhor amigo se suicidaria?! Como?! – gritava em voz alta pelos corredores do andar em que se localizava a agência. Só se pretendesse se enforcar com aquela fita de cetim dourada! Explodiu em gargalhadas débeis, que se amainaram conforme o álcool diluiu-se em seu corpo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
 
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Recobrava a razão. Parecia despertar de um transe. O laço do presente...Da sua surpresa de bodas... Será?! Lídia não havia comentado nada...Não era de seu feitio mandar-lhe um presente e não reclamar se o marido não se derretesse em elogios imediatamente. Ela nem havia mencionado nada nesse sentido. Jantaram na noite passada, até Lúcio estava com eles e ela nem tocou no assunto. Adorava fazer cena na frente dos amigos. Aquilo seria um bom motivo para Lídia. A fita de cetim no topo da caixa desenhava-se em sua mente. Vermelho...Onde estaria aquele embrulho? Levantou-se da mesa da recepção na qual estava escorado e voltou o olhar para sua sala. Automaticamente, partiu para o seu escritório. Vasculhou o ambiente e não pôde encontrar a caixa. Não gostava daquilo. Algo soava realmente estranho. Trataria-se de coincidências? Por quê Lúcio pegaria aquele suposto presente? Por quê seu escritório estaria todo revirado em caso de suicídio? Tudo sugeria que ele havia aberto a caixa pouco antes de morrer. Mas a polícia vasculhou a sala e não encontrou o objeto ou alguma evidência mais concreta. Ninguém havia entrado no local. Foi interditado bem cedo. Antes de o expediente começar de fato. A primeira secretária, a do Bruno, foi quem ligou para a delegacia. Entretanto, a caixa, a fita de cetim...Nada foi encontrado.  Como tudo isso poderia ter acontecido?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Sentia-se aterrorizado. Por meio de conexões frágeis, ainda bastante insólitas, estruturava um raciocínio primitivo. O medo de imaginar que poderia ser punido por uma ação passada, fazia-o acreditar nessas ligações, aparentemente superficiais. Intimamente, sabia que só poderia descansar quando esclarecesse essas sombrias evidências e, claro, descobrisse que não passavam de infelizes coincidências. Fase ruim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt; 

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Esperaria o resultado da perícia. Enquanto isso, levantaria, por conta própria, algumas informações acerca do suposto suicídio de Marcos Motta. Outra idéia lhe passou pela cabeça. Deveria confidenciar suas suspeitas a Otto? O amigo havia perdido o filho, fazia parte daquela lembrança juvenil que lhe causava tamanho mal estar... Poderia ajudar. Mas Renato receava se expor. Via-se um tanto paranóico, perturbado desde o choque sofrido ao ler sobre a morte de MM no jornal. De qualquer forma, infelizmente, encontraria com Otto na cerimônia de cremação do corpo de Lúcio. Decidiria o que fazer até lá. Talvez fosse interessante passar no Teatro Encena e conversar com algum funcionário. Com um pouco de dinheiro e alguma simpatia, poderia conseguir alguns detalhes sobre aquela fatídica noite. Discrição seria fundamental. Não queria problemas com a polícia. Provavelmente, seria um dos primeiros a ser chamado para depor. O delegado ficaria bastante atento ao saber que ele  e  Lúcio haviam se desentendido no último jantar que tiveram. Discussão séria sobre o projeto do Jorge Correia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Assim, deveria descobrir evidências também para se defender de possíveis acusações. Entendia que não deveria entregar-se tanto às próprias especulações. Assumia o compromisso de esclarecer a morte de Lúcio. Daí retirava forças para superar a dor. Deveria manter o bom senso. Não queria enlouquecer. Por isso, determinou para si mesmo: “A primeira evidência que deve buscar é a existência de algum outro elemento comum às duas mortes nesse panorama. Algo, além do suicídio. Talvez, a estranha caixa. Se não conseguir apurar nada nesse sentido, desista. Ficará claro que o remorso foi gerador de toda essa alucinação”. Estava decidido: iria para casa e passaria no Encena à tarde. Só no início da noite, por falta de capelas no cemitério da família do Lúcio, o corpo do amigo seria cremado. Teria tempo até lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
*** &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;	
Depois de um plantão noturno, Jesus tinha um dia de folga. Poderia repousar seu esqueleto no sofá e ver um pouco de TV. Sair para beber uma cerveja e jogar conversa fora com os amigos também era uma boa opção em seus dias de descanso. Mas não NAQUELE dia. Solitário, em um humilde quarto e sala, Jesus deixava-se consumir imaginando quais seriam os atos da tragédia na qual se resumiria seu depoimento. Não sabia o que dizer. Pôs um pouco de leite para ferver. Seu desjejum seria simples. A tensão provocada pelos últimos acontecimentos lhe tirava a fome. Como explicar que após o término da peça precisou voltar ao camarim de Marcos Motta para entregar o presente ao rapaz. Na confusão do início do espetáculo, não conseguiu encontrar o ator. Guardou a caixa consigo e esperou um momento mais tranqüilo para entregá-la.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Na verdade, gostava de fazer isso.Atrasava-se de propósito. Assim, ao menos, tinha um contato maior com os artistas. Após as peças, eram mais simpáticos e generosos. Jesus sempre recebia boas gorjetas. Um autógrafo ou um simples “obrigado” de algum ator famoso já o fazia feliz. Tinha um álbum em casa com todas as assinaturas que conseguia dos rostos que figuravam os palcos. Envaidecia-se ao ouvir o apelido que alguns lhe atribuíam: “Meu Salvador”. Sentia-se útil e eficiente. Por isso, fez questão de voltar ao camarim de Marcos Motta naquela noite. Todos já haviam ido embora. Mas deveria entregar o presente. Queria ter contato com o rapaz que apareceu na TV.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;“Descreva como transcorreu a noite em que Marcos Motta morreu. – intimaria o delegado.
- Não lembro de muita coisa não, doutor. – tentaria negar tudo. Não esteve lá. Não viu ninguém. Não estava com nada.
Em determinado ponto do interrogatório, Jesus esperava a terrível pergunta:	
- E a caixa? Sabemos que está com ela...Por qual razão a levaria para casa?! Vimos o senhor sair do Encena. Se não é o culpado, ficará por aqui, pelo menos, pelo delito de furto.”&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/em&gt;

Via a polícia como elemento onipresente.”Se vieram à minha casa, devem saber de algo”.– pensava. Mas não podia ter deixado a caixa com suas impressões digitais no local do crime. Havia visto isso nos filmes. Eles conseguiam descobrir quem era o assassino apenas pelas marcas dos dedos. “Depois, quem lembraria a falta de um presente quando se trata de chorar em razão uma morte?”

Enquanto isso, o leite que tinha posto para ferver derramava-se pelo modesto fogão. 
- Como tô lerdo! É...Mas agora realmente não dá pra chorar pelo leite derramado...Vou contar tudo pra eles. Posso ter um ponto a meu favor, nem abri a tal caixa. Não quis mexer em pertence de defunto. Traz má sorte. Depois que isso tudo passar, vou fazer um despacho. Saravá! – pensou em voz alta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

Aliás, era uma boa idéia passar por um descarrego naquele dia. Tomou o leite que sobrou depois da fervura e vestiu rapidamente uma roupa. Seu pai–de-santo teria boas palavras a lhe dizer. Claro que não confessaria nada. Falaria de outros problemas e receberia boas energias. Era disso que precisava.Procurou a chave da porta, calçou os chinelos e quando ia pôr o pé do lado de fora, encontrou, como se à sua espera, uma surpresa. Uma desagradável e aterradora surpresa: uma caixa embrulhada com papel vermelho, uma fita de cetim dourada que trespassava todas as suas faces, terminando em um grande laço que enfeitava a parte superior.
- Não pode ser! Deus do céu! – o porteiro exclamou aterrorizado.

Por um momento, achou que fosse a mesma caixa. Ou uma brincadeira de mau gosto. Mas de quem?! Colado na lateral do embrulho, um cartão verde: “Para o Salvador, com urgência”. Jesus tremia. 
- Quem sabe do meu apelido, meu endereço?! – murmurava para si mesmo, enquanto trancava a porta e sentava no sofá com a caixa nas mãos. Estava endereçada ao próprio. Era melhor abri-la. “Com urgência”. Aquilo ecoava em sua mente. Não podia chamar ninguém. Não queria testemunhas. Sentia medo. Muito medo. Deveria contar à polícia?! Não! O “com urgência” soava como uma ameaça. Aquele que deixou a caixa lá poderia estar à espreita. Apenas esperando o momento em que saísse para pressioná-lo ou, até mesmo, matá-lo.

Mas estava decidido a não se martirizar. Assim, mãos trêmulas e suadas desmanchavam aquele dourado laço de fita. Levantava a tampa para descobrir. Tinha medo do que veria...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
*** &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Ah...Totti desça e peça algo para comer, vai...A gente nem almoçou desde a hora em que saiu do cursinho. – pediu Ana Beatriz com uma voz preguiçosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Po, Bia você conhece a casa. Vá lá! Isso é obrigação da mulher: prover seu homem. – Totti Jr. gargalhou cinicamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você é um machsita incorrigível ! Vem cá! - a moça atirou uma das almofadas que estavam espalhadas pelo chão do quarto do rapaz. Puxou – o  pela mão, arrancando-o da cama.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vou contigo só pra te proteger da minha governanta megera, hein! – riu Totti Jr, beijando a moça em seguida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os jovens desceram a escada que levaria à grande sala da casa numa brincadeira graciosa, possível só entre os namorados. O rapaz fingia empurrar Bia escada abaixo quando seu pai, inesperadamente, chegou em casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Velho, você por aqui ?! Não disse que ia passar 15 dias fora?! – exclamou Totti Jr.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tomás Aquino Silveira era um homem elegante, cabelos grisalhos, terno de bom corte. Nesse dia, parecia bastante abatido. Havia deixado sua bagagem no carro. Os empregados cuidariam disso. Chegou precisando de um drink. Queria relaxar. Não pretendia ter que voltar antes do tempo previsto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pois é... Surgiram contratempos...Pelo que vejo você está muito bem acompanhado, não rapaz? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pô, nem apresentei. Essa é a Bia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Totti Jr., apesar de todos os desvios causados por uma má-criação, tinha um misto de respeito e medo em relação ao pai. Sua rebeldia parecia ser fruto de uma sucessão de frustrações sofridas pela falta da mãe durante toda a vida e pela ausência do pai em razão da intensa rotina de trabalho do publicitário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ana Beatriz Sampaio. – corrigiu a moça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A essa altura o casal já havia descido a escada e parado a caminho da cozinha. Tomás se estatelou no sofá com um copo de whisky em uma das mãos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; - Ah, velho...Olha só que legal: o pai da Bia também é publicitário. – Totti Jr. tentava chamar a atenção do pai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; - É mesmo? Qual a agência dele? – respondeu sem muito interesse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Meu pai é o Renato Sampaio, da RLBMx – disse Bia, esboçando um certo orgulho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah!  Você é filha do Renato Sampaio?! - surpreendeu-se Tomás. – Sabe que fomos da mesma turma de faculdade?! Hoje, acabamos nos tornando concorrentes, que ironia... - continuou friamente - Faz tempo que não o vejo. Como ele está, menina?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bem. Em breve, daremos uma grande festa para comemorar os 17 anos de casamento de meus pais, incluiremos o senhor na lista de convidados e...– Bia queria parecer muito gentil aos olhos do “sogro”. Sempre começava a falar demais quando queria impressionar alguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Provavelmente não poderei ir. – Tomás cortou rispidamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Totti Jr. aproveitou a deixa. Estava incomodado com aquela conversa. A namorada querendo se tornar íntima da família. Tinha pavor a isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vamos gata. Acho que já ta na nossa hora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas a gente não ia comer e...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não! Vamo nessa. Deve ter uma galera no bar esperando por nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A moça irritou-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vou pegar minhas coisas então. – respondeu emburrada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dali a dez minutos a moto de Totti Jr. saía do imponente condomínio que ostentava luxuosas casas. O casal deixava Tomás, pensativo, na sala da casa da família.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
*** &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Jesus suava frio.  Levantou a tampa da caixa e encontrou apenas um cartão do tamanho de um envelope que ostentava uma mensagem em letras garrafais:
 
“DEVOLVA O QUE NÃO LHE PERTENCE. CABINE Nº 43 DO GUARDA VOLUMES DO TEATRO ENCENA. PRAZO: ATÉ O FINAL DO DIA DE HOJE”.

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O porteiro parecia passar por um surto nervoso. Sabiam de tudo! Quem?! Não tinha como descobrir. Faria o determinado pelo sinistro bilhete. Seu depoimento estava marcado para o dia seguinte. Talvez, pudesse contar tudo o que havia acontecido. Afinal nesse momento, passava de suspeito a vítima. Estava claro que alguém tinha muito a ver com a morte do jovem artista da TV. Seu pavor transformou-se numa intensa descarga emocional que o tornou capaz de se arrumar automaticamente e partir de casa com a, agora, maldita caixa vermelha escondida em uma sacola de papelão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;
 
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Como explicaria sua presença no Teatro justamente em um dia de folga? Era conhecido por todos. Tinha uma idéia: inventaria que havia esquecido sua carteira no estabelecimento. Era uma sexta-feira e ele não poderia passar o fim de semana sem grana. Isso! Como estava fora da escala de plantão do sábado e domingo, a desculpa soaria bastante coerente. Assim, o porteiro, extremamente perturbado, deixou o objeto na cabine nº 43 do guarda volumes. Do balcão, podia vê-la. Estava realmente vazia, esperando que aquele funesto embrulho fosse ali depositado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt; 

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Saindo bastante apreensivo do teatro, esperando o sinal fechar para atravessar a movimentada avenida na qual se localizava o estabelecimento, Jesus perguntava-se quase que num delírio causado pelo tamanho estado de tensão:
-Quem resgataria a caixa? Como? A que horas? 
Apesar de não serem de sua conta, essas dúvidas reforçavam a frágil condição na qual se encontrava. “Com certeza, essa pessoa tem fácil acesso às dependências do Encena. Provavelmente, não resgatará a caixa no horário normal de funcionamento...” Entretanto, antes que pudesse completar seu pensamento, foi atingido por um carro em alta velocidade que pareceu avançar o sinal. A placa adulterada evitou que alguém a anotasse para uma posterior identificação. Jesus havia sido abatido. A cena do acidente foi de extrema violência. Várias fraturas ficaram evidentes pelo choque da batida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O sol estava escaldante nesse dia. Muitas pessoas circulavam pelo local. Rapidamente, transeuntes interromperam seus caminhos para observar o acidente. De repente, ouviu-se um grito: “- É o Jesus! Porteiro do teatro!” Imediatamente, todos os funcionários abandonaram o Encena, inclusive o recepcionista do guarda volumes. Todos queriam socorrer o colega de trabalho. Em meia hora, os bombeiros chegaram. Era tarde. Jesus estava morto. O Teatro Encena, vazio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Dentro de pouco tempo, a caixa vermelha desaparecerá da cabine n° 43. Renato está a caminho do Encena. Pretende iniciar sua apuração. Encontrará um panorama caótico...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;




&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-109797103772530530?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/109797103772530530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=109797103772530530' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109797103772530530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109797103772530530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/10/captulo-4.html' title='Capítulo 4'/><author><name>Ana Caroll</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13352426875905440686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-109738118022354919</id><published>2004-10-10T00:55:00.000-03:00</published><updated>2004-10-10T01:20:28.750-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 3</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Primeiramente, peço desculpas pela demora na publicação do terceiro capítulo. Uma série de pequenos problemas acarretaram num atraso de uma semana. Tudo resolvido, a história continua...vejamos para que direção ela aponta dessa vez...espero que gostem e que a empolgação não tenha acabado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;Renata Cunha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 3&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A alguns quilômetros dali, Ana Beatriz esperava ansiosamente por alguém na porta do cursinho. Seu nome era Tomás de Aquino Silveira Júnior, ou simplesmente Totti Jr. O garoto, de 19 anos, estudava no mesmo curso dela, quer dizer, estava matriculado lá, o que não significava que necessariamente freqüentasse alguma aula. Júnior tinha um modo arrogante de ser, desprezava tudo o que lhe parecesse pobre, inútil e certinho demais. Todas as vontades lhe eram atendidas, nunca soubera o real significado da palavra “sacrifício”, nem tivera interesse algum pelos estudos. O vestibular era uma boa desculpa para mostrar ao pai, o publicitário Totti Silveira, quais as suas “perspectivas de futuro”. Na realidade, isso se traduzia em mais tempo para as coisas que realmente eram “importantes” para ele: noitadas regadas a muita bebida e ecstasy, praia e academia.
O casal estava junto há algumas semanas, mas parecia se conhecer desde sempre, tamanha a afinidade entre eles. Quando viu a moto do rapaz dobrar a esquina, um tremendo sorriso se abriu no rosto de Bia. Raro vê-la sorrir assim, mas quando se tratava de Totti Jr, a história era diferente. Estava muito apaixonada e faria qualquer coisa para que ficassem juntos. Entre os beijos, ele sussurrou no ouvido dela:
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E então, vambora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
Nem foi preciso resposta. Bia o puxou pela mão, subindo na garupa da moto e enlaçando os braços pela cintura dele. Como já era costumeiro, sairiam dali pra qualquer outro lugar que fosse mais interessante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
*** &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
O choque tomou o lugar do desespero. Renato simplesmente não sabia o que fazer. Foi andando quase como um zumbi até a sua sala. As palavras de D. Elisa, sua secretária, pareciam de uma língua desconhecida, ininteligível, e ele simplesmente ignorou o que ela dizia. Fechou a porta, sentou-se na poltrona e chorou. Chorou como há muito tempo não fazia, num soluçar constante. Todos os momentos junto ao Lúcio passavam como um filme pela sua cabeça e ele se entregou àqueles devaneios apenas por alguns instantes. Logo os outros sócios da agência, Marcelo e Bruno, que acabavam de chegar de um congresso de publicitários noutra cidade, invadiram o gabinete e correram para abraçar Renato. E choraram ainda mais.
Depois daquela comoção geral, Bruno, o mais racional e ponderado, respirou profundamente, enxugou os olhos e falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- É gente, acho que somos nós quem deve tomar as providências agora. A Marisa não vai ter a menor cabeça pra isso... aliás, ela nem sabe de nada. Vamos mandar um boy até a casa deles, porque avisá-la da morte do marido pelo telefone é imperdoável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- É... – Renato balbuciou – chama então a Elisa aqui e pede pra ela fazer os contatos. A Marisa é fundamental, mas também temos que ligar pra funerária, avisar aos mais chegados, comunicar à imprensa, essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Também é bom anunciar o fim do expediente de hoje, vamos deixar a polícia trabalhar direito, sem a presença de todos esses funcionários por aqui – Marcelo lembrou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Então, Marcelo, acho bom irmos pras nossas salas, esfriarmos a cabeças, e aí sim, vermos tudo o que for necessário. Quando a polícia terminar, a gente sai da agência – Bruno concluiu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Renato aproveitou a saída dos sócios para telefonar. Do outro lado da linha, Lídia atendeu ao telefone sem vontade. Detestava ser interrompida enquanto lia o seu jornal, principalmente quando se inteirava das novidades sobre a morte de Marcos Motta. As últimas notícias divulgavam o laudo da perícia, dizendo que foram encontradas altas doses de entorpecentes no corpo do jovem, evidência que poderia confirmar de vez a hipótese de suicídio. Renato, choroso, diz à esposa:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Acabou, nada de bodas. Cancela tudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Você enlouqueceu, né, Renato? Como é que eu vou cancelar? Os convites foram todos enviados, já acertei com o florista como vai ser a decoração, os músicos também já tão marcados... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Cala a boca e me ouve! Esquece essas bobagens! – Renato berrou – Você não tá entendendo, já não tem mais razão pra festa, o Lúcio tá morto! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O quê? Você só pode tá brincando! Ele jantou com a gente ontem... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu nunca ia brincar com uma coisa dessas! Isso foi hoje, agora de manhã... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Meu Deus, que coisa triste – Lídia repetiu, como sempre fazia quando achava algo triste – Mas o que aconteceu? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Ninguém sabe ainda, a polícia tá lá, na sala dele, mas não deixa ninguém entrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Renato, se acalma, por favor. Tudo bem que o momento não é pra festas, mas cancelar...Você não acha que seria algo muito radical? Será que a gente não pode adiar até que as coisas se resolvam? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- O quê??? Em que planeta você vive? Que saco, será que não dá pra perceber que se trata do meu melhor amigo, morto, aqui no escritório??? Você é doente... Ah, quer saber? Faz o que você achar que deve, mas olha só, nem adianta tentar me incluir nesse circo, tô fora!
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Depois de horas de plantão noturno, Jesus ainda tinha fôlego para subir a rua apressado. Precisava chegar logo em casa pra saber se a caixa permanecia segura. Estava mantida há cinco dias sob seu poder e sempre existiria o risco de algum vizinho intrometido desconfiar de alguma coisa e tentar encontrá-la.
...Talvez fosse uma grande paranóia dele... puxa, quem imaginaria que um dos seguranças do Teatro Encena iria retirar uma evidência do local do suicídio, ou do crime. Pelo que ele sabia, as investigações ainda não levavam a nenhuma conclusão. Por isso, era mais indicado que a caixa continuasse ali.
Jesus mal havia pegado a toalha pra tomar uma chuveirada quando bateram à porta: era um representante da 56ª D.P., convocando-o para depor sobre o caso Marcos Motta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Eu não sei de nada disso, não, moço – Jesus desconversou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- Isso quem vai dizer é o delegado. E você tem é que comparecer, se não, usam escolta policial. É bom assinar, tô falando. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Contrariado, o segurança pôs uns garranchos no papel e acompanhou o homem com o olhar, até ele descer ao longe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
- E agora, o quer é que eu faço agora! – Jesus pensou alto – será que alguém deu falta dessa caixa e agora vão me prender? Mas que merda, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco! Não tenho como fugir, e tava lá quando aconteceu. Bom, o jeito é ir nesse tal depoimento, se eles ainda não souberem, passo por inocente em tudo... É, é melhor depor mesmo... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="center"&gt;
***
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim que parte dos serviços terminaram no escritório, já era noite. O corpo já havia sido levado para o Instituto Médico Legal e os policiais permitiram que Renato, Bruno e Marcelo observassem pela porta. Quando se aproximaram, ainda sob o impacto do terrível acontecimento, o que se viu naquele gabinete foi uma bagunça generalizada que, comparada ao escritório de Renato, o fazia parecer um exemplo de organização. Antes decorado com objetos modernos e sempre em ordem, o ambiente agora misturava papéis e canetas, espalhados por toda a parte, a base do telefone arrancada da linha, o celular de Lúcio quebrado, o monitor do computador no chão, enfim, um verdadeiro vendaval naquele lugar. Ainda perto da entrada, uma silhueta branca ornava sombriamente o chão da sala. Renato começou a se sentir mal e os publicitários logo saíram dali, sem nem imaginar que, alguns instantes atrás, em meio àquela confusão, estava o suposto presente de bodas direcionado ao melhor amigo de Lúcio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-109738118022354919?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/109738118022354919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=109738118022354919' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109738118022354919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109738118022354919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/10/captulo-3.html' title='Capítulo 3'/><author><name>Renata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11650079053385943271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://i89.photobucket.com/albums/k235/recunha19/P2140331b.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-109625584724180380</id><published>2004-09-27T01:28:00.000-03:00</published><updated>2004-09-27T13:14:00.503-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;É, depois de uma semana, finalmente está pronta a segunda parte da emocionante história. Espero sinceramente que todos vocês gostem...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;em&gt;Erick Branco&lt;/em&gt;
&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 2&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu, hein... Que é que pode ser isso? – pensou Renato, em voz alta, ao entrar na sala e se deparar com aquele embrulho. Aproximou-se, então, da caixa para examiná-la. Encontrou apenas um pequeno cartão verde, grudado, meio torto, no lado direito da caixa. Nele estava escrito : "Para Renato, com carinho".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;– Deve ser alguma espécie de presente da Lídia para as bodas. É incrível como ela não consegue pensar em outra coisa nesses últimos dias. – concluiu, enquanto se preparava para abrir a fita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nesse exato instante, o telefone de seu escritório tocou. Rapidamente Renato largou aquele embrulho no canto da sua mesa e colocou-se a procurar onde é que estava o aparelho de telefone. A última coisa que poderia se falar do escritório de Renato, é que ele era organizado. Havia milhares de papéis em cima da mesa, uns por cima dos outros, completamente zoneados, sem contar com outra dezena de cds e disketes, que também ficam lá. Esse tanto de coisa, por vez ou outra, acabava escondendo o telefone do escritório. E a cada vez que ele tocava, Renato tinha que bagunçar tudo mais ainda para encontrá-lo. Assim que ele conseguiu achar, atendeu:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Renato, que bom que você chegou. – disse a conhecida voz de Lúcio, do outro lado da linha – O seu cliente “preferido” está aqui na minha sala, querendo falar com você. Ele pediu para você trazer o Layout que você tinha feito, porque ele quer dar uma olhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Putz, o dia começou mal, então. Espera um minutinho que eu já estou indo para aí. – dizendo isso, desligou o aparelho mal-humorado e começou a procurar onde diabos ele tinha deixado a droga do papel com o Layout. Encontrou-o embaixo de uma imensa pilha de outros papéis. Como estava sem nenhuma paciência para tirar tudo de cima, puxou-o violentamente, derrubando para o lado grande parte dessa pilha. Isso, por sua vez, causou a queda de uns cinco cds que se encontravam empilhados ali do lado, que acabaram batendo na caixa e a derrubando justamente para baixo da mesa de ping-pong, em uma posição onde ficaria muito difícil de enxergar sem se abaixar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Alheio ao caos que criara em sua mesa, Renato levantou-se e foi andando em direção a porta de sua sala, já prevendo uma irritação para a tarde. Não havia uma única vez que Jorge Correia viesse falar com eles, que ele não ficasse extremamente irritado. Esse Jorge Correia era dono de uma loja de material de construção. Há uns anos, a RLBMx havia conseguido fazer uma peça brilhante para ele. O comercial, que foi veiculado na televisão, virou uma mania. Por mais de um mês, as pessoas na rua imitaram o jeito engraçado de falar do protagonista do comercial. Só que depois desse sucesso inicial, as pessoas se cansaram das propagandas e o comercial perdeu o seu efeito. E esse Jorge Correia não conseguia compreender isso de maneira alguma, e sempre brigava muito com a agência, especialmente com Renato, quando ele tentava explicar que era necessário mudar a essência da propaganda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Com um forte suspiro, então, Renato abriu a porta do escritório e entrou. Lúcio estava lá dentro, com uma cara de fúria incrível, acompanhado de Jorge Correia, que, ao vê-lo entrando, começou a falar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Nossa, como você demorou. Já não agüentava mais ficar aqui esperando. Eu estava dizendo aqui pro seu amigo, que eu estou até pensando em parar de anunciar com vocês. Nos últimos meses, apesar de todos os meus anúncios, a loja tem andado vazia demais. Assim não adianta o dinheiro que eu gasto com vocês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Renato começou então a fazer um verdadeiro discurso sobre a necessidade de renovação da propaganda, sobre as dificuldades do mercado e sobre um monte de outras coisas que ele sempre dizia e que nunca adiantavam. Ao fim de quase quarenta minutos, Jorge Correia finalmente saiu do escritório, resolvido a dar uma última chance a RLBMx. Lá dentro, Renato e Lúcio se encaravam, um com mais ódio no rosto do que o outro. Lúcio foi quem falou primeiro:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Nossa senhora, eu já não estou mais agüentando esse sujeito!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pô, e você acha que eu estou agüentando? Bem, de qualquer forma, é melhor eu ir para o meu escritório começar a fazer a nova campanha desse sujeito. Porque se atrasar ele tem um outro chilique.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Espera só um minutinho. Eu estava mesmo querendo falar com você. – falou Lúcio, enquanto pegava um jornal em cima de sua mesa e o mostrava para Renato - Você viu o jornal de hoje?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Renato reconheceu o mesmo jornal que Lídia estava lendo: estava aberto na página da matéria sobre o suicídio de Marcos Motta. Enquanto passava novamente os olhos na foto do Otto, ele se lembrou que, assim como ele, Lúcio também conhecia o Otto, pois havia feito faculdade junto com eles também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu já tinha visto isso hoje de manhã também. Coitado do Otto, não é mesmo? – respondeu Renato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pois é. Bem, eu estava pensando até mesmo em ir lá no enterro do garoto hoje. Ia te chamar para ir também. Pense só, como essa notícia está sendo amplamente espalhada, existe a possibilidade de grande parte da turma estar lá. E já faz muito tempo que a gente não vê ninguém. Vai ser bem divertido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Renato achou bastante graça na possibilidade de ir a um enterro porque seria divertido, mas teve que concordar com a cabeça, enquanto Lúcio continuava:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Imagina só como é que devem estar o Totti, a Lu, o Marcos, o Henrique, a Rafa e até o próprio Otto. Estou com saudades deles. A gente fazia tanta coisa legal juntos. Você se lembra de tudo que a gente aprontava pela faculdade? – nesse momento, porém, Lúcio parou de falar. Parece que tanto ele quanto Renato haviam lembrado de uma coisa. Uma coisa bem desagradável que vinha daquele remoto tempo de faculdade. Depois de uns minutos de silêncio, Renato falou, já se dirigindo para a porta:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Bem, de qualquer forma, eu já ia mesmo. A gente se encontra por lá mais tarde. Agora eu tenho que ir para o meu escritório. Até mais tarde. – dizendo isso saiu andando rápido para seu escritório. Aquela conversa havia alimentado um pequeno pensamento que o estava atormentando desde que soubera da notícia pela manhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já passava um pouco das quatro e meia quando finalmente Renato conseguiu encontrar um vaga relativamente perto da capela mortuária onde estava sendo realizada a cerimônia de enterro de Marcos Motta. Ele então saiu do carro, abrindo a outra porta para Lídia, que mais parecia estar vestida para uma festa do que para um enterro, com um vestido preto bastante colado. Como eles poderiam esperar, a cerimônia estava completamente lotada. Centenas de meninas, fãs de Marcos Motta, lotavam a capela, tornando muito difícil se locomover lá dentro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato e Lídia foram forçando sua passagem até conseguirem chegar perto do caixão. O rapaz jazia lá dentro com uma expressão bastante serena no rosto. Aquele não era o rosto esperado em alguém que parecia Ter acabado de se matar. De qualquer forma, tanto Otto quanto o resto dos familiares estavam do lado do caixão, com o rosto bastante inchado e os olhos vermelhos. Buscando fazer a cara mais triste que conseguiu, Renato se aproximou de seu velho amigo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Otto, eu realmente sinto demais pelo ocorrido. – disse, enquanto cumprimentava o pai do jovem, que, em um primeiro momento, lançou-lhe um olhar indiferente, mas, logo depois, arregalou os olhos em uma clara expressão de surpresa:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Renato, meu velho amigo. Nossa, faz muito tempo que não nos vemos. É realmente uma pena que seja em uma situação tão cruel como essa. – falando isso, deixou seus olhos encherem novamente de lágrimas antes de completar: - De qualquer forma, fico contente que tenha vindo. Depois podemos conversar. Outros de nossos velhos companheiros também estão por aqui. Eles estavam ali pelo meio, se não me engano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu vou lá para ver se vejo alguém. Depois a gente conversa. Eu realmente sinto muito. – e foi saindo em direção ao local apontado por Otto, sempre com Lídia atrás dele. Lá pelo meio, encontrou um pequeno grupo de seus antigos amigos da faculdade. Estavam lá a Luana, o Marcos, o Henrique, a Rafa e, é claro, Lúcio. Todos eles junto com outras pessoas que certamente deviam ser seus parceiros. Depois de uma série abraços de saudade e apresentações de seus companheiros, o grupo resolveu sair um pouco daquele ambiente lotado e ir para uma praça, que ficava ali em frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como Lúcio tinha previsto, foi uma tarde até divertida, apesar do motivo que tinha trazido todos eles para aquele lugar. Eles ficaram relembrando os velhos tempo de faculdade, falando mal dos professores e conversando um monte de outras coisas que sempre se conversa ao encontrar-se com amigos de velha data. Até mesmo Lídia tinha se divertido bastante durante aquela tarde: tinha convidado todos os amigos de Renato para irem nas bodas de dezessete anos dela. A conversa estava sendo tão agradável que eles até resolveram marcar um outro encontro para eles poderem conversar mais. Fariam um grande churrasco na casa de Henrique dali a duas semanas, como nos velhos tempos. Estavam até animados a chamar o Otto, para tentar animá-lo um pouco. Também queria ver se conseguiam localizar o Totti, que não tinha aparecido por lá. Animados com a perspectiva dessa comemoração, todos foram para suas casas, ao final da cerimônia.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O resto da semana ocorria da forma mais normal possível para Renato: Lídia ficava cada vez mais envolvida com sua grande festa de bodas, Bia continuava dormindo a maior parte do dia, sem qualquer dedicação ao estudo, Jorge Correia ligava todos os dias para seu escritório cobrando soluções milagrosas para sua loja e ele continuava jogando seu bom e velho ping-pong todos os dias em seu escritório. Ele não se lembrou nunca mais da existência daquele pacote, que estava acumulando poeira embaixo de sua grande mesa de ping-pong.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Sexta-feira não estava sendo diferente. Tudo acontecia conforme o esperado. Tomou seu café da manhã com a família, deixou a filha no cursinho, chegou na agência e estacionou o carro na sua vaga. Entrou no prédio assobiando e cumprimentou o porteiro. Quando, porém, abriu a porta da agência, não pode deixar de se assustar: vários policiais estavam lá dentro, andando por todos os lados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que está acontecendo aqui? – gritou Renato, enquanto entrava desesperado pela porta. Um dos policiais que estava por perto parou para lhe explicar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hoje pela manhã, quando foram abrir a porta do escritório de um dos sócios da empresa, o Lúcio, o encontraram morto bem no centro de seu escritório. Imediatamente fomos comunicados e viemos o mais rápido possível. Acabamos de chegar. Aparentemente foi suicídio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essas palavras tiveram a força de uma navalha para Renato. Sem Ter nenhuma noção do que fazer, ele saiu correndo em direção ao escritório de Lúcio, gritando desesperado. Quando já estava quase na porta, foi detido por um policial:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ninguém pode entrar na sala por enquanto. Você vai ter que aguardar aqui do lado de fora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Renato ainda tentou convencer o policial a deixá-lo entrar, mas não obteve sucesso. Então, tentou espiar pela porta, que estava entreaberta. Tudo o que conseguiu ver foi uma parte da mão de Lúcio, que estava no chão e, bem próximo dela, uma fita de cetim dourada, que parecia ter caído de suas mãos...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-109625584724180380?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/109625584724180380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=109625584724180380' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109625584724180380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109625584724180380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/09/captulo-2.html' title='Capítulo 2'/><author><name>Erick Branco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08035586260121109093</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8381207.post-109565237744552815</id><published>2004-09-19T23:58:00.000-03:00</published><updated>2004-09-25T11:54:43.140-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Fui incumbido da honrosa tarefa de dar o pontapé inicial nos trabalhos do blog. Como a apresentação aí do lado já diz, isso aqui é um exercício criativo sem muitas pretensões. A única coisa que pretendemos é entreter tanto a nós mesmos quanto as pessoas que eventualmente passarem por esse humilde sítio. E o que é melhor do que uma boa e velha história com mistérios a la Agatha Christie e afins para cumprir tal proposta?
Então, sem mais delongas, eis o primeiro capítulo. O rumo é incerto, mas o time está coeso e confiante em seu potencial criativo... :)) vamo vê no que isso vai dar....&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Raphael Fontenelle&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Capítulo 1&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;A caixa estava embrulhada com papel vermelho. Uma fita de cetim dourada trespassava todas as suas faces, terminando em um grande laço que enfeitava a parte superior. Ela foi deixada na portaria do teatro exatamente duas horas antes do horário previsto para o começo do espetáculo. Não era o tipo de coisa que eles recebiam todos os dias, mas, mesmo assim, demorou cerca de quarenta e cinco minutos até que Jesus, um dos seguranças, percebesse sua presença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;A essa altura, o saguão já estava começando a ficar cheio de pessoas – na maioria garotas adolescentes – que se amontoavam numa espécie de fila. Jesus olhou para a caixa e depois para o cada vez maior grupo de garotas no saguão e perguntou se a caixa era de alguma delas. Apenas uma se deu ao trabalho de responder que não e o segurança, considerando a garota porta-voz de todas as pessoas que estavam ali, se aproximou da caixa com um olhar curioso. Segurou-a e aproximou o ouvido, esperando escutar algo suspeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Nesse pequeno espaço de tempo, passaram pela mente de Jesus várias possibilidades e, na mais legal, ele se via sacando a arma e gritando para as pessoas se afastarem. Pegava seu walkie-talkie e falava algo do tipo “Pacote suspeito na portaria! Pacote suspeito na portaria! Evacuem a área!”. Depois, em meio à confusão generalizada provocada por seu alarme, ele abriria a caixa com cuidado e veria uma porção de fios coloridos ligados a umas três, ou melhor!, quatro bananas de dinamite e a um reloginho que estaria em contagem regressiva marcando poucos segundos para a explosão. Ele pegaria seu alicate e, faltando três segundos, cortaria o fio verde e..... mas essa possibilidade saiu rapidamente da cabeça do segurança. Seu infalível teste auditivo acabara de lhe provar que aquilo não era uma bomba e não adiantava ele ficar enganando a si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Após o rápido devaneio, o segurança percebeu a existência de um pequeno cartão verde grudado em uma das faces laterais da caixa. Conseguiu ler: “Para Marcos, com carinho”, e deu um sorrisinho amarelo. Olhou novamente para as garotas, mas nenhuma parecia estar lhe dando importância. Notou que algumas vestiam a camisa do fã-clube “MM 4-ever”. Bem, pensou, deve ser presentinho de alguma fã. E, assim, a caixa enveredou por caminhos bem iluminados em direção ao camarim de Marcos Motta, ou simplesmente MM para as fãs.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;****&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Meu Deus, que coisa triste. – disse Lídia, após ler algo no jornal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato não lhe deu atenção, apenas murmurou alguma coisa. Continuou bebendo seu suco de laranja, esperando que sua esposa logo largasse o jornal e voltasse a comer seus brioches, como sempre fazia quando lia alguma notícia sobre violência urbana ou algo que achasse igualmente triste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Estavam tomando o café da manhã na grande mesa de madeira da cozinha. Cada um em uma cabeceira e Ana Beatriz numa das laterais, caindo de sono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Pobre rapaz. Tão novinho e com uma carreira inteira pela frente – disse Lídia para ela mesma e se virou para a filha – Bia, seu cabelo tá caindo no sucrilhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Ana Beatriz se levantou de sobressalto e limpou a parte que estava molhada de leite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Vamos logo Bia, sem enrolação – disse Renato – Hoje eu tenho que chegar cedo na agência pra resolver uns problemas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;A garota não respondeu. Apenas continuou comendo seu sucrilhos morosamente. Os três continuaram a comer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Como um garoto nessa idade pode fazer uma barbaridade dessas? – Lídia falou, quebrando o silêncio. Renato a olhou tentando parecer interessado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Do que você tá falando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Esse menino, o Marcos Motta. Foi encontrado morto ontem à tarde no camarim do teatro – disse Lídia levando a xícara de café com leite à boca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato tentou fazer uma cara de compadecimento, mas o máximo que conseguiu foi uma que parecia dizer “Pois é, merdas acontecem”. Lídia se saiu melhor em sua expressão de pena, que foi logo emendada com uma que dizia claramente “Seu insensível”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Menos um idiota no mundo – disse Bia, que saíra do transe letárgico em que estava. Renato deu um sorrisinho em concordância. Lídia não se deu conta do comentário e continuou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Era uma sessão especial mais cedo da peça “Asfalto em transe”, do Alvinho Bernstein – agora Lídia já lia exatamente o que estava escrito no jornal - Algumas fãs, que lotavam o teatro, tiveram que ser removidas direto para o hospital.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O que essas garotas tavam fazendo num teatro afinal de contas? – Renato perguntou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Elas foram ver o Marcos, oras – respondeu Bia – Ele tava querendo provar que era ator sério depois que fez um papel em Malhação. Aí ele pediu pro Alvinho um papel nessa peça “séria” – Bia enfatizou as aspas com as mãos - O MM ia interpretar um menino de rua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Um menino de rua? Mas ele não se parece com um menino de rua – Renato se lembrava dos olhos azuis e dos cabelos loiros do rapaz. Lídia, do outro lado da mesa, ainda lia a notícia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Que coisa. A polícia suspeita que tenha sido suicídio mesmo. O pai do garoto tá desesperado coitado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Culpa dele que não criou o filho direito! Se tivesse, o garoto não teria se suicidado – disse Renato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Se tivesse, ele não teria feito Malhação – completou Bia. Pai e filha riram juntos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Engraçadinhos vocês, não? – Lídia ensaiou uma meia risadinha e voltou a ficar séria rapidamente - Dona Bia, vai se aprontar que seu pai vai sair e te deixar aí.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Já tô indo. Mas anota o que eu tô dizendo. O cara vai virar mártir da juventude! Foi o melhor que ele podia ter feito pela carreira dele - disse Ana Beatriz se levantando e subindo as escadas em direção a seu quarto. O casal continuou seu café em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O garoto tinha apenas dezenove anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Você vai continuar insistindo nisso, Lídia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Mas você não acha uma coisa triste, Rê? Encontrar seu próprio filho morto e todos dizerem que foi suicídio? Ele tinha a idade de nossa filha!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Foi ele quem encontrou o corpo do rapaz?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Foi – Lídia recomeçou a ler a notícia em voz alta – A polícia ainda investiga a causa da morte de Marcos Motta, mas tudo leva a crer que tenha sido suicídio. O pai do jovem ator, o jornalista Otacílio Motta...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Otacílio Motta era pai do Marcos Motta? – Renato interrompeu o percurso que fazia com o brioche à caminho da boca. Levantou-se e foi em direção a cabeceira onde estava Lídia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Aparentemente sim, né? - disse Lídia como se ele tivesse acabado de falar a coisa mais óbvia do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Por sobre o ombro da esposa, Renato olhou a notícia no jornal. Ela ocupava quase metade da folha. Ao centro, estavam duas fotos: uma de Marcos em cena, sorridente, e outra onde podia-se ver um senhor loiro com seus quarenta e poucos anos, sendo abraçado por uma mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- É o Otto! – Renato não conseguiu reter a exclamação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu fiz faculdade com esse cara. Caramba, como ele tá velho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Como você nunca me disse que conhecia o pai de Marcos Motta? – Lídia largou o jornal, olhando fixamente para Renato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Como eu iria saber? Mal conhecia esse garoto. E eu não conhecia o pai dele. Quer dizer, eu conheci há muito tempo, mas depois acabamos perdendo o contato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato pegou o jornal e começou a ler. Lídia chamou a empregada e, depois de pedir que limpasse a mesa, subiu as escadas e foi para o quarto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Nossa, há quanto tempo ele não via o Otto. Por um breve momento lembrou dos tempos de faculdade. Todos os momentos bons passaram por sua cabeça até que uma memória indesejada começou a despontar e, então, ele fez força para interromper as lembranças. De certa forma, era bom ver seu amigo de juventude de novo, mas se sentia um pouco triste por ser daquela maneira. Começou a ler.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;A notícia dizia que Otto estava indignado e não aceitava a hipótese de que o filho teria se suicidado. Fontes próximas disseram ao jornal que, nas últimas semanas, Marcos parecia um pouco abatido, mas todos achavam que isso tinha a ver com o fato de ele ter recebido críticas negativas. Ouvido pela imprensa, o detetive responsável pelo caso disse que a polícia ainda estava começando as investigações a pedido da família do ator, mas que tudo levava a crer na hipótese de suicídio, já que nada de anormal fora encontrado no camarim. O laudo da perícia que vai apontar a causa mortis sairia apenas no dia seguinte. Enquanto isso os seguranças e todas as pessoas que estiveram no teatro serão chamadas para depor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato fechou o jornal. Ainda não tinha se decidido como se sentia sobre aquilo tudo. A verdade é que não estava tão triste quanto achava que deveria estar. Foi para o banheiro e terminou de se arrumar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- O enterro do rapaz vai ser hoje às quatro horas – disse para Lídia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Você acha que a gente deve ir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Acho que sim. Eu passo aqui e te pego pra gente ir juntos – Renato deu um beijo na sua esposa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tudo bem. Enquanto isso eu aproveito para adiantar os preparativos da festa – ela tentava ajeitar o nó da gravata do marido simplesmente porque achava que era exatamente isso que deveria estar fazendo naquela hora – Você acha muito inconveniente chamar os pais do Marcos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Hoje? Claro, né! É melhor você esperar um pouco isso tudo passar. A festa vai ser só no outro sábado mesmo. Você ainda vai ter tempo pra lotar nossas bodas de dezessete anos – Lídia percebeu um pequeno sarcasmo na última frase de Renato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não vou responder a provocações hoje não, viu? – Lídia deu um beijo na bochecha de Renato – BIA! Anda logo que seu pai já tá saindo! Essa menina... toda segunda feira é a mesma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Não só as segundas... Você precisa dar um jeito nessa garota. Se ela não passar nesse ano no vestibular de novo, ela vai ter que trabalhar de qualquer jeito. Não vou ficar mais jogando dinheiro fora com ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Eu que preciso dar um jeito? – Lídia perguntou mas Renato já estava descendo as escadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Encontraram Bia no sofá da sala cochilando. Renato sacudiu levemente a garota, que acordou assustada. Os dois se encaminharam para a porta, Renato se despediu de Lídia e Bia já ia entrando no carro quando sua mãe a chamou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Bia, vem cá um instante – chamou Lídia, botando uma mão no ombro da filha e outra no rosto, carinhosamente – Olha, se você estiver passando por algum problema, é só me falar, viu? Seus melhores amigos são seus pais. Nunca tente fazer nenhuma besteira como esse tal de MM, tá? – e deu um beijo na testa de Bia, que estava impassível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tá bom. - respondeu a garota, mecanicamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Os dois entraram no carro e foram embora, observando Lídia parada no portão de casa. O caminho transcorreu silencioso. Pai e filha não trocaram nenhuma palavra até que chegaram ao cursinho de Bia. Ela disse “tchau” e desceu do carro. Ele respondeu “tchau” e seguiu viagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Renato trabalhava em uma agência de publicidade. Era um dos quatro sócios-fundadores da RLBMx. As outras iniciais eram de Lúcio, Bruno e Marcelo. O x era só para enfeitar. Eles se achavam pessoas muito originais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O fato de ser co-fundador da empresa lhe garantia certas regalias. Como por exemplo, ter uma vaga privativa e sua própria mesa de ping-pong em seu escritório (apesar de se sentir solitário quando todos estavam fazendo alguma coisa e ele não tinha ninguém para jogar). Naquele dia, como em todos os outros, Renato estacionou seu carro em sua vaga privativa e se dirigiu ao seu escritório. Cumprimentou todos no caminho, tentando ser o mais simpático possível. Vários pensamentos martelavam sua cabeça. Boas e más lembranças da sua época de faculdade, Otto e seu filho, a insistência de Lídia em comemorar bodas de dezessete anos e a estagnação de sua filha com dezenove anos e ainda no pré-vestibular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Ele chegou ao seu escritório, cumprimentou Dona Elisa, sua secretária, e nem escutou quando ela lhe disse:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;- Tem uma encomenda pro senhor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Ele abriu a porta de sua sala e viu, em cima da mesa, uma caixa. Ela estava embrulhada com papel vermelho. Uma fita de cetim dourado trespassava todas as suas faces terminando em um grande laço na parte superior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;****&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8381207-109565237744552815?l=aumenteoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/feeds/109565237744552815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8381207&amp;postID=109565237744552815' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109565237744552815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8381207/posts/default/109565237744552815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aumenteoconto.blogspot.com/2004/09/captulo-1.html' title='Capítulo 1'/><author><name>Raphael Fontenelle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17208232786502509550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
